SAÚDE SEXUAL DAS MULHERES CIS LÉSBICAS: ANÁLISE DOS CONHECIMENTOS E DAS PRÁTICAS ACERCA DAS INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMÍSSIVEIS
Palavras-chave:
saúde sexual, lésbicas, ISTs, Atenção PrimáriaResumo
Introdução: Mulheres cis lésbicas ainda enfrentam invisibilidade nas políticas e práticas de saúde sexual. A heteronormatividade reforça a falsa percepção de baixo risco de ISTs, somada à escassez de informações específicas, campanhas inclusivas e preparo profissional para o acolhimento na Atenção Primária à Saúde (APS). Objetivo: Analisar os conhecimentos e práticas de saúde sexual de mulheres cis lésbicas na APS, com foco na prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Método: Revisão integrativa da literatura, de caráter descritivo e qualitativo, guiada pela estratégia PICO. Foram incluídos artigos completos, publicados entre 2020 e 2025, em português e inglês. A busca sistemática ocorreu entre janeiro e maio de 2025 nas bases BVS, LILACS, SCIELO, MEDLINE e BDENF. Resultados: A análise organizou-se em três eixos: conhecimento, práticas preventivas e acesso aos serviços. Identificaram-se 206 artigos, dos quais 31 compuseram a amostra final. Conclusão: Os estudos revelaram lacunas significativas no conhecimento sobre ISTs, uma vez que campanhas e materiais educativos permanecem centrados em heterossexuais e homens que fazem sexo com homens, invisibilizando lésbicas. Houve baixa adesão a métodos de barreira, com improvisações pouco utilizadas devido à escassez de recursos e à percepção de baixo risco. O acesso aos serviços mostrou-se limitado por invisibilidade, preconceito e despreparo profissional, resultando em experiências de constrangimento e afastamento das usuárias. Persistem barreiras estruturais e culturais que comprometem a saúde sexual de mulheres cis lésbicas, reforçando a necessidade de capacitação profissional, ampliação de políticas inclusivas e desenvolvimento de materiais educativos específicos, de modo a garantir acolhimento, equidade e integralidade no cuidado.
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