O MATO GROSSO DE GOIÁS E O DESEJO POR UMA METRÓPOLE
Keywords:
Goiânia, Urbanismo Progressista, História Ambiental, Mato Grosso de GoiásAbstract
Nos anos 1930, a construção de Goiânia representou um marco na história de Goiás, vinculada ao urbanismo progressista e ao desejo de modernização do estado. Antes da escolha do sítio definitivo, a região do Mato Grosso de Goiás (MGG) foi cogitada por suas matas, fertilidade do solo e recursos hídricos, características valorizadas como suporte de uma futura “metrópole”. O engenheiro Carlos Haas, no “Memorial Haas” (1931), destacou o potencial da área próxima aos rios Uru e das Almas, recomendando critérios técnicos para a nova capital. Embora a escolha final tenha recaído sobre Campinas, as ideias de Haas influenciaram tanto o projeto de Attílio Corrêa Lima quanto a posterior criação da Colônia Agrícola Nacional de Goiás (CANG), origem da cidade de Ceres. A pesquisa dialoga com o modelo teórico de William Cronon em Nature’s Metropolis, que distingue entre “primeira natureza” (recursos naturais) e “segunda natureza” (paisagem transformada). Nesse sentido, os discursos sobre a fertilidade, os rios e a chegada da ferrovia funcionaram como instrumentos de atração populacional, legitimando o avanço da ocupação. Migrantes de estados vizinhos reforçaram esse processo, transformando o Cerrado em terras agrícolas e consolidando o papel de Goiânia e Anápolis como polos regionais. Embora o urbanismo progressista valorizasse áreas verdes e infraestrutura sanitária, seu ideal foi gradualmente reduzido ao parcelamento do solo, priorizando interesses econômicos. O caso revela a dualidade entre a natureza como promessa de modernidade e seu uso intensivo como recurso. Assim, o estudo evidencia como a exploração ambiental e a expansão urbana caminharam juntas na formação de Goiás.
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