CONSTITUCIONALISMO DIGITAL E O CIBERESPAÇO: COMO A GOVERNANÇA ALGORÍTMICA REDEFINE O CENÁRIO POLÍTICO GLOBAL
Keywords:
Governança Algorítmica, Ciberespaço, Constitucionalismo Digital, Democracia, Direito Internacional, EleiçõesAbstract
A governança algorítmica emerge como o paradigma central de reconfiguração das relações sociais, culturais e, fundamentalmente, políticas na contemporaneidade. Através do processamento massivo de dados, os algoritmos não apenas medeiam, mas determinam ativamente a circulação de informações e a formação de decisões, exercendo uma influência capilar sobre os processos democráticos, as dinâmicas culturais e as estruturas de poder. Este ensaio argumenta que tal fenômeno materializa a "infocracia" diagnosticada por Byung-Chul Han (2022), onde o controle sobre os fluxos informacionais se converte em um novo regime de poder que enfraquece a autonomia individual e a pluralidade do debate público. A análise de processos eleitorais emblemáticos — como os de Barack Obama, Donald Trump, Jair Bolsonaro e Lula da Silva — serve como estudo de caso para demonstrar a eficácia algorítmica na microsegmentação de mensagens, na catalisação da desinformação e na arquitetura de bolhas epistêmicas. Em um segundo momento, a investigação aprofunda o paradoxo do ciberespaço: o que Pierre Lévy (1999) teorizou como um "território de interconexão" universal revela-se, sob a lógica algorítmica, uma arquitetura de exclusão digital e silenciamento político seletivo. Diante deste cenário, o Constitucionalismo Digital é apresentado como resposta normativa imperativa. Defende-se, por fim, a necessidade de estruturar arcabouços jurídicos e éticos robustos — a exemplo do AI Act europeu e das propostas brasileiras de regulação da IA — que assegurem transparência, equidade e, crucialmente, a soberania da supervisão humana, como condição de possibilidade para a salvaguarda dos direitos fundamentais na nova ordem tecnológica.
References
COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. Liberdade de expressão e internet. Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão. Organização dos Estados Americanos, 2013. ISBN 978-0-8270-6202-3. Disponível em: https://www.oas.org/pt/cidh/expressao/docs/publicaciones/2014%2008%2004%20Liberdade%20de%20Express%C3%A3o%20e%20Internet%20Rev%20%20HR_Rev%20LAR.pdf Acesso em: 9 set. 2025.
HAN, Byung-Chul. Infocracia: Digitalização e a crise da democracia. Tradução de Gabriel Salvi. Petrópolis, RJ: Vozes, 2022.
KLEINMAN, Zoe. Cambridge Analytica: The story so far. BBC News, 21 mar. 2018.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34, 1999.
LESSIG, Lawrence. Code and Other Laws of Cyberspace. New York: Basic Books, 1999.
SALAS, J. O obscuro uso do Facebook e do Twitter como armas de manipulação política. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2017/10/19/tecnologia/1508426945_013246.html>. Acesso em: 9 set. 2025.
SUNSTEIN, Cass R. Republic.com. Princeton: Princeton University Press, 2001.
ZUBOFF, Shoshana. The Age of Surveillance Capitalism: The Fight for a Human Future at the New Frontier of Power. New York: PublicAffairs, 2019.
Downloads
Published
Issue
Section
License
These Proceedings offer free and immediate access to their content, based on the principle that making scientific knowledge freely available to the public fosters the global democratization of knowledge.
Upon publication in the Proceedings, authors retain copyright and publication rights to their articles without restriction.
The Proceedings of the International Congress on Research, Teaching, and Extension (CIPEEX) of the Evangelical University of Goiás (UniEVANGÉLICA) adhere to the terms of the Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International license.