TOXICIDADE DE FUNGICIDAS PIRIDÍNICOS: UMA REVISÃO DA LITERATURA
Palavras-chave:
fungicidas piridínicos, in silico, C14-desmetilase, toxicidadeResumo
Introdução: A investigação in silico de fungicidas piridínicos constitui uma abordagem estratégica para compreender potenciais alvos biológicos e riscos associados ao seu uso. Esses compostos atuam principalmente como inibidores da enzima C14-desmetilase, bloqueando a biossíntese do ergosterol, fundamental para a integridade da membrana celular fúngica. Objetivo: Analisar evidências disponíveis na literatura sobre fungicidas piridínicos, com ênfase em análises in silico e dados de toxicidade em organismos alvo e não alvo. Método: Realizou-se revisão bibliográfica contemplando estudos experimentais em modelos animais, ensaios com organismos aquáticos e pesquisas envolvendo bioacumulação e metabolismo, integrando resultados preditivos in silico com achados laboratoriais. Resultados: O pyrifenox demonstrou ação antifúngica dependente da composição da membrana celular, sugerindo seletividade variável entre espécies fúngicas. O fluopyram induziu estresse oxidativo, disfunção mitocondrial e apoptose em fígado e sistema nervoso de zebrafish, indicando risco para vertebrados não alvo. O boscalid mostrou toxicidade em roedores, com alterações no peso corporal, aumento do fígado, indução enzimática hepática e efeitos tireoidianos, como hipertrofia, hiperplasia folicular e adenomas em camundongos. Triazóis piridínicos impactaram fígado e vias endócrinas em mamíferos e peixes, enquanto o pyrisoxazole apresentou bioacumulação estereosseletiva e toxicidade de metabólitos em organismos do solo e aquáticos. Conclusões: Os fungicidas piridínicos demonstram eficácia antifúngica relevante, mas associados a efeitos adversos em diferentes organismos. As análises in silico representam ferramentas valiosas para prever toxicidade, orientar experimentação e subsidiar estratégias de mitigação de riscos, contribuindo para o uso mais seguro e sustentável desses compostos na agricultura.
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