PREVALÊNCIA E DETERMINANTES SOCIAIS DO USO DE DROGAS ENTRE ESCOLARES BRASILEIROS: EVIDÊNCIAS PARA POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE
Palavras-chave:
Adolescente, Substâncias psicoativas, Saúde pública, Determinantes sociaisResumo
O consumo de substâncias psicoativas entre adolescentes configura um desafio multifacetado para a saúde pública brasileira, exigindo abordagens fundamentadas na epidemiologia e na saúde coletiva. Este estudo teve como objetivo analisar o padrão epidemiológico do uso de drogas entre escolares, identificando determinantes sociais e propondo diretrizes para políticas públicas. Para tanto, foi realizada uma revisão narrativa de caráter qualitativo e exploratório, baseada na análise documental de relatórios nacionais como os Relatórios Brasileiros sobre Drogas, o LNUD e a PeNSE 2019. Os resultados evidenciaram a predominância de drogas lícitas, com destaque para o álcool (60,5%) e o tabaco (16,9%), enquanto a maconha liderou entre as ilícitas (5,7%). Observou-se variação significativa entre redes de ensino: estudantes da rede pública apresentaram maior consumo de tabaco, cocaína e crack, ao passo que os da rede privada consumiram mais álcool, solventes e psicofármacos sem prescrição. A iniciação ao uso ocorre precocemente, por volta dos 13 anos, e há diferenças de gênero no padrão de consumo, com meninos predominando no uso de ilícitas e meninas no uso de medicamentos controlados. Conclui-se que o fenômeno é profundamente influenciado por determinantes sociais, demandando políticas intersetoriais que priorizem a promoção da saúde e a redução de danos. Estratégias genéricas mostram-se insuficientes, sendo necessário o desenvolvimento de ações específicas e contextualizadas para diferentes grupos, com base em evidências epidemiológicas e em uma abordagem não repressiva.