ANÁLISE TEMPORAL E ESPACIAL DA HANSENÍASE EM GOIÁS: ESTUDO ECOLÓGICO (2013-2023)
Palavras-chave:
Hanseníase, Epidemiologia, Saúde pública, GoiásResumo
Introdução: A hanseníase permanece como um desafio para a Saúde Pública, sobretudo em países tropicais como o Brasil. Apesar das metas da Organização Mundial da Saúde (OMS) para eliminação da doença, em 2018 Brasil, Índia e Indonésia concentraram 81% dos casos mundiais. No país, a redução de novos casos ocorre de forma desigual, e Goiás apresenta taxas superiores à média nacional, com maior incidência em homens, adultos de 40 a 59 anos e indivíduos com baixa escolaridade, refletindo vulnerabilidades sociais e barreiras de acesso. Objetivo: Analisar a distribuição espacial e a tendência temporal da hanseníase em Goiás entre 2013 e 2023. Método: Estudo ecológico, transversal e retrospectivo, baseado em dados do SINAN/DATASUS. Variáveis sociodemográficas e clínicas foram analisadas por estatística descritiva em Python. A tendência temporal foi avaliada por regressão linear simples e método de Prais-Winsten, e a distribuição espacial representada em mapas temáticos. Resultados: No período, registraram-se 18.282 casos, predominando homens (60,2%), pardos (56,5%) e indivíduos de 30 a 59 anos (59,5%). A forma clínica dimorfa (53,6%) e o grau zero de incapacidade (67,3%) foram os mais frequentes. Os coeficientes médios variaram de 16,1 a 35,7/100 mil habitantes entre as macrorregiões, com declínio progressivo em todo o estado. A regressão linear indicou tendência decrescente significativa e o método de Prais-Winsten apontou queda média anual. Conclusão: A hanseníase em Goiás apresentou queda sustentada na última década, mas a persistência de desigualdades regionais e a proporção de incapacidades no diagnóstico reforçam a necessidade de fortalecer e direcionar estratégias para áreas prioritárias.
Referências
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