O EPICENTRO DA EPIDEMIA EM ANÁPOLIS: PERFIL E VULNERABILIDADES (2019–2023)
Palavras-chave:
HIV, AIDS, Epidemiologia, AnápolisResumo
Introdução: O município de Anápolis consolidou-se como um dos principais epicentros da epidemia de AIDS em Goiás, resultado de sua posição estratégica como polo industrial e logístico e das vulnerabilidades sociais que influenciam a dinâmica da transmissão do HIV. Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico da AIDS em Anápolis no período de 2019 a 2023, destacando tendências temporais, características demográficas e desafios relacionados à notificação. Método: Estudo descritivo, baseado em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e registros da Secretaria Municipal de Saúde de Anápolis (SEMUSA), além de literatura científica. Foram avaliados indicadores de tendência temporal, sexo, faixa etária e consistência dos sistemas de informação. Resultados: Entre 2019 e 2023, foram notificados 188 casos de AIDS em Anápolis segundo o SINAN. Observou-se queda em 2020 (–36,2%), seguida de recuperação em 2021–2022 (48 casos/ano). Em 2023, houve queda abrupta para 15 casos, indicando subnotificação. O perfil demográfico revelou forte predominância masculina (80,9%) e concentração em adultos jovens de 20 a 34 anos (46,3%). Houve discrepância relevante entre os sistemas de informação: enquanto o SINAN apontou 188 casos, registros municipais indicaram 332, revelando subnotificação de 43,4%. Conclusão: A epidemia em Anápolis é marcada por masculinização, concentração em jovens adultos e fragilidades na vigilância epidemiológica. A subnotificação compromete o planejamento e a alocação de recursos. É necessário investir em vigilância qualificada, integração de sistemas, estratégias de prevenção combinada e redução do estigma para enfrentar de forma efetiva a epidemia local.
Referências
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