EFEITOS DO TREINAMENTO COM REALIDADE VIRTUAL NA MOBILIDADE FUNCIONAL E EQUILÍBRIO DINÂMICO EM INDIVÍDUOS COM SÍNDROME DE DOWN
Resumo
Introdução: A Síndrome de Down (SD) é uma aneuploidia decorrente da trissomia do cromossomo 21, associada à hipotonia muscular, instabilidade postural e déficits de controle motor, fatores que elevam o risco de quedas. Nesse contexto, a realidade virtual (RV) tem se destacado como estratégia promissora na reabilitação, por integrar estímulos motores e cognitivos em ambientes interativos. Objetivo: Teve como objetivo analisar os efeitos de um protocolo de treinamento com RV sobre a mobilidade funcional, o equilíbrio dinâmico e o desempenho físico de indivíduos com SD. Métodos: Cinco participantes com SD foram submetidos a intervenção em RV com o total de 16 sessões que duraram 50 minutos. A avaliação foi realizada por meio do sistema inercial G-WALK, utilizando três testes validados: Timed Up and Go (TUG), para mensuração da mobilidade funcional; Teste de Caminhada de 6 Minutos (TC6), para análise da aptidão cardiorrespiratória; e Salto com Contra Movimento, para avaliação da potência muscular. Observou-se melhora clínica no TUG, com redução do tempo médio total (15,1s para 12,8s), indicando ganhos em equilíbrio dinâmico e eficiência neuromuscular. Entretanto, não foram verificadas alterações significativas na potência muscular e os resultados do TC6 apresentaram elevada variabilidade, inclusive com redução da distância média percorrida. Resultados: Conclui-se que o treinamento com RV demonstrou potencial para aprimorar a mobilidade funcional e o equilíbrio dinâmico em indivíduos com SD, mas não promoveu ganhos consistentes em força ou capacidade cardiorrespiratória. Novos estudos com amostras ampliadas e maior rigor metodológico são necessários para consolidar a eficácia dessa intervenção.
Referências
BOMFIM, R. Educação Física e a criança com Síndrome de Down: algumas considerações. Integração, São Paulo, v. 7, n. 16, p. 60-63, 1996.
DAMASCENO, L. G. Natação, psicomotricidade e desenvolvimento. Brasília, DF: Secretaria dos Desportos da Presidência da República, 1992.
MENEGHETTI, C. H. Z.; BLASCOVI-ASSIS, S. M.; DELOROSO, F. T.; RODRIGUES, G. M. Avaliação do equilíbrio estático de crianças e adolescentes com síndrome de Down. Revista Brasileira de Fisioterapia, São Carlos, v. 13, n. 3, p. 230-235, mai./jun. 2009.
DORES, A. R. et al. Realidade virtual na reabilitação: por que sim e por que não? Uma revisão sistemática. Revista Científica da Ordem dos Médicos, v. 25, n. 6, p. 414-421, 2012.
LEAL, S. M. de O. et al. Efeitos do treinamento funcional na autonomia funcional, equilíbrio e qualidade de vida de idosas. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v. 17, n. 3, p. 61-69, 2010.
KOUIJZER, M. M. T. E.; KIP, H.; BOUMAN, Y. H. A.; KELDERS, S. M. Implementation of virtual reality in healthcare: a scoping review on the implementation process of virtual reality in various healthcare settings. Implementation Science Communications, [S.l.], v. 4, n. 1, p. 67, 16 jun. 2023. DOI: 10.1186/s43058-023-00442-2. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10276472/. Acesso em: 19 ago. 2025.
MELLO, B. C. de C.; RAMALHO, T. F. Uso da realidade virtual no tratamento fisioterapêutico de indivíduos com Síndrome de Down. Revista Neurociências, [S.l.], v. 23, n. 1, p. 143-149, 31 mar. 2015. Disponível em: . Acesso em: 19 ago. 2025.