ANÁLISE TEMPORAL E DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DA HANSENÍASE NA REGIÃO SUDESTE DO BRASIL
Palavras-chave:
Brasil, Doenças Negligenciadas, Epidemiologia, hanseníaseResumo
Introdução: A hanseníase é uma doença crônica causada pelo Mycobacteruim leprae. O Brasil ocupa a segunda posição em número absoluto de casos, sendo considerado pela OMS um país de alta carga da doença, o que torna necessário o monitoramento epidemiológico para subsidiar estratégias de eliminação. Objetivo: Analisar a tendência temporal e distribuição espacial da hanseníase na região Sudeste entre 2013 e 2023, e identificar grupos mais vulneráveis. Método: trata-se de um estudo ecológico, retrospectivo e analítico, com dados do DATASUS/TabNet referentes aos estados da região Sudeste entre 2013 e 2023. Foram analisadas frequências absolutas e relativas, CAGR e distribuição espacial, representada em mapas coropléticos. O perfil sociodemográfico foi descrito em gráficos. Resultados: Foram notificados 51.077 casos na região Sudeste. Observou-se redução até 2019 seguida por queda acentuada em 2020, com retomada posterior sem alcançar níveis prévios. O CAGR indicou redução média anual de -2,97%. São Paulo apresentou o maior número absoluto (17.801 casos), mas o Espírito Santo teve a maior taxa proporcional (162,7/100.000 habitantes). Houve predominância do sexo masculino (55,9%), adultos de 20 a 59 anos (63,9%) e idosos (29,4%). Quanto à escolaridade, prevaleceram indivíduos com ensino fundamental incompleto (39,1%), e na raça/cor, predominaram pretos e pardos (53,1%). Conclusão: A região Sudeste apresentou tendência de redução de casos de hanseníase, embora desigual. Persistem maiores riscos entre homens, adultos, idosos, pessoas com baixa escolaridade e pretos e pardos. Os achados reforçam a necessidade de estratégias para superar as desigualdades e avançar rumo à meta da OMS de eliminação da hanseníase.
Referências
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