AVALIAÇÃO SOBRE A ORIENTAÇÃO DAS MÃES QUANTO A ALIMENTAÇÃO DO LACTENTE: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Palavras-chave:
Lactente, Mães, Nutrição do Lactente, Orientação InfantilResumo
Introdução: A orientação materna é determinante para práticas adequadas de aleitamento materno (AM) e de introdução alimentar (IA) no primeiro ano de vida. Evidências apontam benefícios do AM exclusivo (AME) até 6 meses e riscos da IA precoce, mas barreiras informacionais, culturais e socioeconômicas ainda dificultam a adesão. Objetivo: Analisar o nível de orientação/educação das mães, em relação aos conhecimentos das anormalidades e normalidades do processo de alimentação infantil durante o período de lactância. Método: Revisão integrativa (2024–2025) nas bases BVS, SciELO e Cochrane, com DeCS “Lactente”, “Mães”, “Nutrição do Lactente” e “Orientação Infantil”, uso de operadores booleanos e critérios: estudos originais, texto completo, português/inglês, últimos 5 anos. Selecionaram-se 23 artigos. Resultados: Observou-se conhecimento variável e lacunas práticas (p.ex., preparo de papas), com associação a escolaridade, renda e exposição a orientações. O AME apresentou interrupção elevada e mediana curta em alguns contextos; fatores como uso de chupeta, ausência de AM na primeira hora e trabalho materno relacionaram-se a desmame. A qualidade da dieta (MDD/MAD) foi heterogênea: intervenções comunitárias, digitais (mensagens de voz/texto, aplicativos) e na APS (aconselhamento com seguimento telefônico) elevaram conhecimento, atitudes e autoeficácia, reduziram consumo de ultraprocessados/açúcares; efeitos sobre crescimento foram por vezes limitados no curto prazo. Em prematuros, os tempos de IA demandam orientação individualizada. Conclusões: Intervenções multimodais, contínuas e culturalmente adaptadas, articulando APS, estratégias digitais e dispositivos comunitários, qualificam a orientação materna e favorecem práticas alimentares adequadas. Persistem desafios estruturais; recomenda-se reforço longitudinal, suporte familiar/social e protocolos específicos para contextos vulneráveis e prematuros.
Referências
MOZZAQUATRO, Caroline de Oliveira.; ARPINI, Dorian Mônica.; POLLI, Rodrigo Gabbi. Relação mãe-bebê e promoção de saúde no desenvolvimento infantil. Psicologia em Revista, v.21, n.2, p. 334-351, 2015.
BRASIL. Ministério da Saúde: Secretaria de Atenção à Saúde. Diretrizes de estimulação precoce - crianças de zero a 3 anos com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.
BORNSTEIN, Marc H.; TAMIS-LEMONDA, Catherine. S. Maternal responsiveness and cognitive development in children. New Directions for Child and Adolescent Development, v.49, p.49-61, 1990.
LINDHOLM, Rosemary Ribeiro. Cuidado do lactente no primeiro ano de vida – conhecimentos desejados por um grupo de mães. Rev. Bras. Enf., v.37, n.1, p.36-43, 1984.
WHO. Indicators for assessing infant and young child feeding practices. Part 3: Country Profiles. Genebra: World Health Organization, 2010. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789241599290.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Benefícios do aleitamento materno e recomendações para a alimentação infantil. Genebra: Organização Mundial da Saúde, 2020. Disponível em: https://www.who.int.
VICTORA, Cesar Gomes; et al. Breastfeeding in the 21st century: epidemiology, mechanisms, and lifelong effect. The Lancet, v. 387, n. 10017, p. 475-490, 2016.
ROLLINS, Nigel; et al. Why invest, and what it will take to improve breastfeeding practices? The Lancet, v. 387, n. 10017, p. 491-504, 2016.
GLOBAL BURDEN OF DISEASE STUDY. Global burden of 369 diseases and injuries in 204 countries and territories, 1990–2019: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2019. The Lancet, v. 396, n. 10258, p. 1204-1222, 2019.
LAU, Jennifer D.; ZHU, Yajie; VORA, Shalini. An evaluation of a perinatal education and support program to increase breastfeeding in a Chinese American community. Maternal and Child Health Journal, v. 25, n. 2, p. 214-220, 2021.