TRANSGREDIR A NORMALIDADE: O EU TRANS E A ÉTICA DO CUIDADO PSICOLÓGICO
Resumo
O presente artigo, de natureza qualitativa e exploratória, fundamentado em revisão bibliográfica e análise crítica, tem como objetivo principal analisar a construção social do conceito de normalidade e sua relação com a experiência da transgeneridade. Discutindo como o desvio dessa norma imposta historicamente pela sociedade resulta em estigmas e exclusões, a pesquisa traz uma reflexão sobre a influência desse conceito na formação do Eu e da identidade; compreendendo os efeitos do estigma social sobre as pessoas trans no acesso à saúde, educação e trabalho; e discutindo o papel ético e técnico do psicólogo diante da diversidade de gênero, problematizando a reprodução de preconceitos na prática clínica. Observa-se que a psicologia clínica pode operar como dispositivo de controle dos corpos e das identidades, reforçando padrões binários e cisnormativos, muitas vezes negligenciando a reafirmação do gênero e o combate à perpetuação do preconceito. Portanto, cabe ao psicólogo um papel ético fundamental na desconstrução desses estigmas, promovendo práticas clínicas que validem e reafirmem o gênero autodeclarado, em conformidade com os princípios da dignidade humana e com o Código de Ética Profissional do Psicólogo. Assim, a clínica deve ser um espaço de acolhimento e resistência, onde a escuta não reproduz a norma, mas possibilita ao sujeito trans existir em sua singularidade
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