Arquitetura Algorítmica, Polarização Afetiva e Erosão da Confiança Social: uma Revisão Crítica do Paradigma das Bolhas de Filtro
Palavras-chave:
polarização afetiva; bolhas de filtro; câmaras de eco; capitalismo de vigilância; confiança social; psicologia políticaResumo
Este artigo examina criticamente a hipótese de que a curadoria algorítmica de conteúdo em plataformas digitais produz isolamento informacional, amplificação de câmaras de eco e, consequentemente, polarização afetiva e erosão da confiança institucional. Por meio de revisão crítica de literatura em ciência da computação social, psicologia política e comunicação, contrapõe-se o modelo intuitivo, difundido em obras de divulgação científica, aos achados experimentais, que revelam efeitos mais modestos e heterogêneos do que a narrativa popular sugere. Foram analisados estudos experimentais, quase-experimentais e revisões sistemáticas publicados entre 2016 e 2025, priorizando desenhos com maior força inferencial sobre estudos meramente correlacionais. Os resultados indicam que a prevalência de bolhas de filtro estritas é fraca e dependente de operacionalização metodológica; que os efeitos polarizadores detectados decorrem primariamente da amplificação seletiva de conteúdo emocionalmente negativo e não da mera homogeneidade informacional; e que a exposição cruzada a conteúdo ideologicamente oposto pode paradoxalmente intensificar a polarização. Conclui-se que a compreensão psicossocial rigorosa do fenômeno exige um modelo de interação entre arquitetura algorítmica, heurísticas cognitivas e contexto social, em substituição ao modelo determinista de causalidade linear.
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