O Elo entre o Azul e o Amarelo: uma Leitura Gestáltica do Encontro a partir do Haikai de Paulo Leminski e da Relação Eu-Tu Buberiana
Palavras-chave:
Gestalt-terapia; teoria do contato; relação Eu-Tu; Paulo Leminski; psicologia fenomenológica-existencialResumo
Este ensaio teórico propõe uma articulação entre a poética condensada do haikai de Paulo Leminski, "Amar é um elo entre o azul e o amarelo", e os fundamentos epistemológicos da Gestalt-terapia, particularmente a teoria do contato e o conceito buberiano de relação Eu-Tu. Parte-se da premissa de que a metáfora cromática leminskiana, ao sugerir a fusão de duas cores primárias distintas na composição de uma terceira tonalidade, ilustra de modo condensado o fenômeno relacional descrito pela fronteira de contato gestáltica, na qual duas subjetividades, ao se encontrarem autenticamente, engendram uma configuração emergente que transcende a soma das partes. O objetivo do estudo foi examinar, por meio de análise teórica interpretativa, de que modo a metáfora leminskiana ilustra e é iluminada pelos conceitos gestálticos de fronteira de contato, campo organismo-meio e relação dialógica. A discussão fundamenta-se em autores fundadores e em pesquisadores brasileiros da Gestalt-terapia. Conclui-se que a leitura gestáltica do haikai reafirma o caráter co-criativo, ético e estético do fenômeno amoroso enquanto experiência de contato, compreendido como evento de campo irredutível às individualidades que o compõem. (163 palavras).
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