Educação, Subjetividade e Gênero: Interfaces Psicanalíticas e Culturais na Era Digital
Palavras-chave:
identidade de gênero, subjetivação, psicanálise, sujeitos trans, educação, transdisciplinaridadeResumo
Este ensaio teórico apresenta o referencial conceitual e o desenho metodológico de uma pesquisa em desenvolvimento sobre os processos de subjetivação envolvidos na construção da identidade de gênero em sujeitos trans, articulando psicanálise, estudos de gênero e educação. Parte-se da compreensão de que o gênero constitui uma construção simbólica e discursiva, atravessada por fatores históricos, institucionais e subjetivos, cuja investigação demanda diálogo entre referenciais distintos — a psicanálise lacaniana, a crítica performativa de Judith Butler, a leitura simbólica junguiana, a antropologia da diferença de Françoise Héritier e a epistemologia da complexidade de Edgar Morin, entre outros. Discute-se a proposta metodológica, de natureza qualitativa, estruturada em entrevistas semiestruturadas, formulários on-line, análise de casos clínicos publicados e, complementarmente, netnografia, com tratamento discursivo dos dados organizados nas categorias corpo, linguagem, desejo, normatividade e criatividade. O texto discute de forma crítica as tensões epistemológicas entre os referenciais mobilizados — em especial entre o estruturalismo lacaniano e a perspectiva pós-estruturalista de Butler — e as implicações éticas e práticas da escuta clínica e pedagógica de sujeitos trans no contexto do Processo Transexualizador do Sistema Único de Saúde e das tecnologias digitais emergentes. Por se tratar de pesquisa em fase de revisão bibliográfica e elaboração de instrumentos, este ensaio não apresenta resultados empíricos, mas propõe uma arquitetura teórico-metodológica a ser testada em campo entre 2026 e 2027, contribuindo, desde já, para o debate sobre subjetividade, gênero e educação inclusiva.
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