PSICONEUROSES E NEUROPSICOSES: FREUD, PÓS-FREUDIANOS E DSM/ICD
Palavras-chave:
psiconeurose, neuropsicose, DSM, ICDResumo
Este estudo examina a distinção entre psiconeuroses e neuropsicoses na obra de Freud com base em uma análise documental dos textos originais em alemão, comparados com suas traduções para o inglês e o português, destacando como esse processo tradutório gerou ambiguidade conceitual. Freud inicialmente utilizou o termo Neuropsychosen como sinônimo de psiconeurose, mas posteriormente reservou o termo “psicose” para casos graves que envolviam ruptura com a realidade. Os resultados da análise revelam que a tradução literal do termo alemão “neuropsychoses”, tanto em inglês quanto em português, induziu interpretações equivocadas, sugerindo que Freud já se referia à psicose em seu sentido moderno. O artigo também discute as reinterpretações pós-freudianas, em especial as contribuições de Klein e Lacan, e estabelece um paralelo com as classificações psiquiátricas contemporâneas (DSM/ICD), que abandonaram o termo “neurose” em favor de categorias descritivas específicas. Conclui-se que a trajetória histórica dessas traduções revela tanto a riqueza conceitual da psicanálise quanto sua crescente divergência em relação à nosografia psiquiátrica atual, com implicações para a leitura contemporânea da obra de Freud.
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