Trabalho e Sofrimento na Era do Capitalismo Digital: Será a uberização um engodo?
Palavras-chave:
Complexo de Édipo, pedofilia, trauma, Ferenczi, psicanáliseResumo
Este ensaio examina a articulação entre a teoria freudiana do Complexo de Édipo e a etiologia psíquica da pedofilia, a partir de revisão bibliográfica psicanalítica e da apresentação de uma vinheta clínica fictícia, elaborada para fins exclusivamente didáticos e sem correspondência com nenhum paciente real. Discutem-se leituras que associam a pedofilia a uma fixação ou regressão ao estágio edípico, bem como as críticas a essa abordagem por seu caráter redutor, sua base pouco universal e sua limitada sustentação empírica. Argumenta-se que a articulação entre Complexo de Édipo — fenômeno estrutural e universal na constituição psíquica — e pedofilia — comportamento criminoso e não normativo — carece de um elo lógico intermediário, e propõe-se que a teoria da confusão de línguas e do trauma em dois tempos, de Sándor Ferenczi, oferece esse elo: o primeiro tempo, correspondente à aproximação afetiva e à curiosidade sexual espontânea da criança na travessia edípica, não seria em si traumático; o caráter traumático adviria de um segundo tempo, no qual a resposta do adulto confere, retroativamente, significado sexual a uma experiência originalmente da ordem da ternura. Essa hipótese é ilustrada por uma vinheta clínica composta, construída a partir de elementos recorrentes na prática psicanalítica, sem qualquer vínculo com uma pessoa identificável, e discutida com as devidas ressalvas quanto à impossibilidade de generalização causal a partir de material ilustrativo. Conclui-se que a leitura articulada entre Édipo e trauma em dois tempos amplia a compreensão psicanalítica da pedofilia sem reduzi-la a um único fator, reafirmando-se que tal leitura teórica não legitima nem justifica, em nenhuma hipótese, o crime de pedofilia.
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