DESIGUALDADES REGIONAIS NA INCIDÊNCIA, MORTALIDADE E ACESSO AO TRATAMENTO DO CÂNCER DO COLO DO ÚTERO NO BRASIL
Palavras-chave:
Neoplasias do Colo do Útero, Desigualdades em Saúde, Incidência, MortalidadeResumo
O câncer do colo do útero (CCU) representa um grave desafio à saúde pública no Brasil. Apesar de ser uma neoplasia evitável, permanece como a terceira mais incidente e a quarta causa de morte por câncer entre as mulheres brasileiras. A infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV) é o principal fator etiológico. Observam-se disparidades regionais acentuadas na distribuição da doença: enquanto o Sul e Sudeste apresentam melhores indicadores, as regiões Norte e Nordeste enfrentam maiores taxas de incidência e mortalidade, refletindo desigualdades estruturais no acesso às estratégias de prevenção, rastreamento e tratamento. OBJETIVO: Evidenciar as disparidades regionais na incidência, mortalidade e acesso ao cuidado do CCU no Brasil, com foco nas vulnerabilidades das regiões Norte e Nordeste. MÉTODOS: Estudo descritivo baseado em revisão de literatura e análise de dados secundários do INCA (2025). A busca foi realizada na base SciELO (2022-2026), utilizando os descritores: "Neoplasias do Colo do Útero", "Desigualdades em Saúde", "Incidência" e "Mortalidade". Foram selecionados artigos em português, com texto completo disponível. RESULTADOS: Estimam-se 17.010 casos novos de CCU para o triênio 2023-2025. As disparidades geográficas são nítidas: a taxa ajustada de incidência no Norte (16,77/100 mil) e Nordeste (13,85/100 mil) supera significativamente a média nacional e a do Sudeste (8,57/100 mil). Na mortalidade, o risco no Norte (9,92/100 mil) é quase três vezes superior ao do Sudeste (3,44/100 mil). A literatura demonstra correlação inversa entre o IDH e a carga da doença, evidenciando que baixa escolaridade, renda reduzida e a concentração de serviços especializados no Centro-Sul do país retardam o diagnóstico e o tratamento oportuno nas demais regiões. CONCLUSÃO: As desigualdades no rastreamento e na assistência explicam a persistência das altas taxas de mortalidade por CCU no Brasil, especialmente no Norte e Nordeste. Embora a incorporação do teste de DNA-HPV e a expansão da vacinação sejam avanços cruciais, a equidade depende do fortalecimento da busca ativa e da descentralização dos serviços de alta complexidade, garantindo a integralidade da linha de cuidado em todo o território nacional.Publicado
2026-08-24
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Resumos Simples