Saúde mental da população em situação de rua: desafios enfrentados pela atenção básica na promoção do cuidado integral

Autores

  • Jhon Marlyson de Sousa da Silva Uniego

Resumo

INTRODUÇÃO: A população em situação de rua enfrenta diversos desafios relacionados à saúde mental, agravados por fatores como vulnerabilidade social, violência, uso abusivo de substâncias psicoativas, desemprego, rompimento de vínculos familiares e dificuldade de acesso aos serviços de saúde. Nesse contexto, a Atenção Primária à Saúde (APS) possui papel fundamental na promoção do cuidado integral, atuando na prevenção, acolhimento e acompanhamento dessas pessoas. Entretanto, ainda existem barreiras que dificultam a efetivação desse cuidado, como o preconceito, a falta de capacitação profissional, a ausência de políticas públicas efetivas e a dificuldade de continuidade do tratamento. Assim, discutir os desafios enfrentados pela APS torna-se essencial para fortalecer ações de promoção da saúde mental voltadas à população em situação de rua. OBJETIVO: Analisar os principais desafios enfrentados pela Atenção Básica na promoção do cuidado integral em saúde mental para a população em situação de rua. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa de revisão bibliográfica, de caráter descritivo e abordagem qualitativa. A busca dos estudos foi realizada nas bases de dados científicas SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando descritores relacionados à saúde mental, população em situação de rua e atenção básica. Foram selecionados 04 artigos publicados de 2021 a 2026, em língua portuguesa, que abordassem os desafios da assistência em saúde mental a essa população. RESULTADO: Os estudos indicam que a elevada carga de sofrimento psíquico da PSR é retroalimentada pela exclusão social. Os principais desafios da APS incluem: a fragmentação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), a escassez de recursos humanos e a dificuldade de fixação de estratégias como o Consultório na Rua (eCR). Observou-se que o preconceito institucional atua como barreira simbólica, distanciando o usuário do serviço. Em contrapartida, dispositivos como o acolhimento humanizado, a redução de danos e a clínica ampliada emergem como ferramentas essenciais para a criação de vínculo e a promoção da autonomia. CONCLUSÃO: Conclui-se que a promoção do cuidado integral em saúde mental para a população em situação de rua ainda representa um grande desafio para a APS. Contudo, a implementação de práticas humanizadas, o fortalecimento das políticas públicas e a capacitação dos profissionais de saúde podem contribuir significativamente para a melhoria da assistência. Dessa forma, torna-se fundamental ampliar o acesso aos serviços e fortalecer ações intersetoriais que garantam cuidado digno, acolhedor e integral a essa população vulnerável.

Publicado

2026-08-24