EFEITOS DA ESTIMULAÇÃO TRANSCRANIANA POR CORRENTE CONTÍNUA ASSOCIADA A EXERCÍCIOS PROPRIOCEPTIVOS NA MARCHA DE CRIANÇA COM DEFICIÊNCIA VISUAL: ESTUDO DE CASO
Palavras-chave:
Estimulação transcraniana, Propriocepção, Marcha, CriançasResumo
Introdução: Indivíduos com baixa visão frequentemente adotam estratégias compensatórias no padrão de marcha, comprometendo a eficiência funcional. A Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC), técnica não invasiva que modula a excitabilidade cortical e favorece a neuroplasticidade. Objetivo: O estudo teve como objetivo avaliar os efeitos da ETCC associada a exercícios proprioceptivos na marcha de uma criança com baixa visão. Método: Este estudo de caso envolveu um participante masculino de 10 anos, com diagnóstico de deficiência visual (DV), pesando 21 kg e com altura de 1,30 m. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da UniEVANGÉLICA (CAAE: 4610052.6.00000.5076). A avaliação da marcha foi realizada utilizando o Walk Test juntamente com o uso do G-Sensor®, um sensor inercial para monitorar parâmetros como cadência, velocidade e comprimento do passo. A intervenção consistiu em uma sessão de Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC), associada a exercícios proprioceptivos, incluindo atividades realizadas na bola suíça, cama elástica e marcha tandem. Resultados: Após a intervenção, houve melhorias significativas nos parâmetros de marcha. O tempo de caminhada reduziu de 21,9 segundos para 19,2 segundos, e a cadência aumentou de 116,6 para 125,9 passos/min. O tempo de apoio entre as pernas mostrou maior simetria, com a fase de apoio da perna esquerda aumentando de 58,6% para 61,8%, e a da perna direita diminuindo de 61,0% para 56,8%. O comprimento do passo também se distribuiu mais equilibrado entre os pés, com 48,6% para o pé esquerdo e 51,4% para o pé direito. Conclusões: Esses resultados sugerem a eficácia da combinação de ETCC e exercícios proprioceptivos para melhorar a marcha e a estabilidade postural, contribuindo para a independência funcional e segurança na locomoção de crianças com deficiência visual.
Referências
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