ESTUDO SOBRE EFEITOS ADVERSOS NA SAÚDE REPRODUTIVA NA POPULAÇÃO RESIDENTE NOS MUNICÍPIOS DAS REGIÕES DE SAÚDE NORDESTE I E NORDESTE II, GOIÁS (2010 – 2023)
Palavras-chave:
agrotóxicos, saúde pública, câncer, GoiásResumo
Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa exploratória e descritiva que investigou os efeitos adversos à saúde humana, especialmente os relacionados ao sistema reprodutivo e às neoplasias, associados à exposição a agrotóxicos nos municípios das regiões de saúde Nordeste I e Nordeste II do estado de Goiás entre os anos de 2010 e 2023. A pesquisa utilizou abordagem qualitativa e quantitativa, com análise de dados secundários extraídos de diversos sistemas de informação, como SINAN, SISCAN, SIM, MAPA, AGRODEFESA e Instituto Mauro Borges. Os resultados apontam para a presença significativa de monoculturas como cana-de-açúcar, milho e soja, com intenso uso de agrotóxicos, em especial o glifosato, 2,4-D, trifloxistrobina, tebuconazol e metomil, substâncias com reconhecido potencial tóxico e carcinogênico. A análise também evidenciou a subnotificação de casos de intoxicação, sobretudo crônicos, e um aumento consistente da mortalidade por câncer na região Centro-Oeste, correlacionado aos períodos de maior produção agrícola. Os achados reforçam a necessidade de fortalecer os sistemas de vigilância epidemiológica, promover a regulação mais rigorosa do uso de agrotóxicos e fomentar práticas agrícolas mais sustentáveis. Este estudo contribui para o debate sobre os impactos do modelo agrícola vigente na saúde pública e destaca a urgência de políticas integradas de proteção à saúde e ao meio ambiente em contextos de uso intensivo de agroquímicos.
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