VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA E INVISIBILIDADE SOCIAL: UM DESAFIO PARA A SAÚDE PÚBLICA BRASILEIRA
Palavras-chave:
violência obstétrica, enfermagem obstétrica, desigualdade socialResumo
Introdução: A violência obstétrica é uma violação dos direitos humanos que persiste nos serviços de saúde, apesar dos avanços em prol do parto humanizado, manifestando-se em práticas físicas, psicológicas e institucionais que desrespeitam a autonomia da mulher e afetam especialmente grupos vulneráveis. Objetivo: Compreender o perfil e as implicações da violência obstétrica no Brasil, destacando sua relação com desigualdades de gênero, raça e classe, de modo a subsidiar políticas públicas e práticas de humanização do parto. Metodologia: Realizou-se uma revisão bibliográfica narrativa e qualitativa em bases como BVS, SciELO, PubMed e Portal CAPES, considerando estudos publicados entre 2020 e 2025 que abordam violência obstétrica e desigualdades sociais. Resultados: A análise de nove estudos mostrou que a violência obstétrica assume formas físicas, psicológicas, morais e institucionais, atingindo principalmente mulheres negras, indígenas, adolescentes e de baixa escolaridade; entre os impactos, destacam-se traumas, depressão pós-parto, ansiedade e dificuldades na amamentação, sendo que o modelo assistencial autoritário e a ausência de consentimento informado contribuem para a invisibilidade das vítimas e fragilizam políticas de enfrentamento. Conclusão: A violência obstétrica é um fenômeno estrutural e interseccional que exige mudanças profundas na formação e na prática assistencial, sendo fundamental valorizar o protagonismo feminino e adotar uma atuação ética e humanizada para garantir equidade e respeito aos direitos reprodutivos.
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