ESTUDO DO USO DE AGROTÓXICOS NA PRODUÇÃO AGRÍCOLA E EFEITOS ADVERSOS NA SAÚDE NEUROLÓGICA NA POPULAÇÃO RESIDENTE NO TERRITÓRIO BRASILEIRO
Palavras-chave:
agrotóxicos, manifestações neurológicas, saúde públicaResumo
O uso intensivo e muitas vezes inadequado de agrotóxicos no Brasil tem gerado crescentes preocupações quanto aos seus efeitos sobre a saúde humana, especialmente no meio rural. A exposição prolongada a pesticidas tem sido associada a diversos agravos neurológicos, como tremores, déficits cognitivos, quadros depressivos, transtornos psiquiátricos e até mesmo neoplasias. Evidências científicas apontam que os efeitos são especialmente relevantes em contextos de exposição ocupacional, atingindo com maior intensidade trabalhadores rurais, gestantes e crianças, que representam grupos particularmente vulneráveis. Nesse contexto, torna-se fundamental investigar os impactos neurológicos da exposição a pesticidas, a fim de embasar políticas públicas de proteção à saúde e à segurança dos grupos mais vulneráveis. O objetivo foi analisar a relação entre a exposição a agrotóxicos e seus impactos neurológicos na população brasileira. Para isso, foi desenvolvida pesquisa exploratória e descritiva, baseada em revisão bibliográfica de publicações científicas entre os anos de 2014 à 2024. As buscas foram realizadas em bases como PubMed, BVS, Scopus, e Web of Science, e foram incluídos estudos revisados por pares que abordassem os efeitos neurológicos dos agrotóxicos em humanos. Identificou-se a associação entre exposição a agrotóxicos com manifestações neurológicas, sendo os compostos mais citados os organofosforados, piretróides e carbamatos. Os efeitos adversos incluíram déficits cognitivos, cefaleia, parestesias, transtornos psiquiátricos, de neurodesenvolvimento e motores. Conclui-se que a exposição a agrotóxicos causa sérios danos neurológicos e mentais, exigindo políticas mais rigorosas, práticas agrícolas sustentáveis e mais pesquisas sobre seus efeitos a longo prazo.
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