Canabidiol no manejo da dor orofacial crônica e disfunção temporomandibular (DTM): perspectiva terapêutica na odontologia

Autores

  • Letícia Mirelle Silva FACEG
  • Camila Cardoso

Palavras-chave:

Canabidiol, Dor orofacial, Disfunção temporomandibular, Sistema endocanabinoide

Resumo

Introdução: A dor orofacial crônica, especialmente relacionada às disfunções temporomandibulares (DTM), compromete diretamente a mastigação, a fala, o sono, a qualidade de vida e o bem-estar biopsicossocial do paciente. Apesar da abordagem terapêutica convencional, que inclui o uso de analgésicos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares, placas oclusais e terapias físicas, os pacientes apresentam resposta parcial e manifestam efeitos adversos aos medicamentos. Nesse contexto, o canabidiol (CBD), fitocanabinoide não psicoativo da Cannabis sativa, surge como alternativa terapêutica por apresentar propriedades analgésicas, anti-inflamatórias, ansiolíticas e neuromoduladoras. Objetivo: Analisar o potencial terapêutico do canabidiol na dor orofacial crônica, com ênfase nas DTM, discutindo mecanismos de ação, eficácia, segurança e aplicabilidade odontológica. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, realizada nas bases PubMed/MEDLINE e Google Acadêmico, utilizando os descritores DeCS/MeSH “Canabidiol”, “Dor orofacial”, “Disfunção temporomandibular”, “Cannabidiol”, “Orofacial Pain” e “Temporomandibular Disorders”. Foram incluidos artigos de 2016 a 2026, em português ou inglês, com texto completo gratuito. Resultados e Discussão: A busca bibliográfica resultou na seleção de seis artigos cientificos. Os estudos evidenciaram que o CBD apresenta potencial terapêutico promissor no manejo da dor orofacial crônica e das DTM, devido às propriedades analgésicas, anti-inflamatórias e moduladoras do sistema endocanabinoide. Os artigos demonstraram participação de receptores canabinoides na nocicepção periférica e central, reduzindo mediadores inflamatórios e sensibilização trigeminal associada às DTM. Entre os achados clínicos, destacou-se ensaio piloto randomizado com aplicação intraoral de CBD em pacientes com DTM muscular, com redução da atividade eletromiográfica do masseter, melhora da dor e boa tolerabilidade. Estudos relataram que as vias transdérmica e intraoral apresentaram melhor biodisponibilidade local e menor efeitos adversos. Entretanto, revisões sistemáticas apontaram limitações como pequenas amostras, ausência de padronização das doses e heterogeneidade metodológica. Considerações Finais: O canabidiol demonstra potencial como recurso terapêutico adjuvante na odontologia; porém, sua aplicação clínica exige robustez científica, protocolos padronizados e estudos controlados que confirmem eficácia, segurança e viabilidade, fortalecendo decisões éticas e baseadas em evidências na rotina do cirurgião-dentista.

Publicado

2026-05-16