VIOLÊNCIA CONTRA MULHER COMO FATOR ETIOLÓGICO DAS FRATURAS FACIAIS: ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA E IMPACTO NO TRAUMA MAXILOFACIAL
Palavras-chave:
BUCOMAXILOFACIAL, VIOLÊNCIA, MULHERResumo
Introdução: A violência contra a mulher apresenta uma frequência superior à estimada, configurando-se como um grave problema de saúde pública que abrange dimensões físicas, psicológicas e sexuais. A face é um dos alvos principais, devido ao simbolismo de identidade. Assim, o cirurgião bucomaxilofacial torna-se peça fundamental na equipe multidisciplinar, atuando no tratamento de traumas faciais, na conscientização e no registro dos casos para notificações oficiais. Objetivo: Analisar a relação entre fraturas faciais e a violência contra a mulher, destacando os principais padrões de lesões, regiões anatômicas mais acometidas e implicações clínica. Métodos: Trata-se de uma revisão bibliográfica, reunindo artigos publicados entre 2022 e 2026, em português e inglês, em bases de dados como PubMed, Google Acadêmico e literatura técnica complementar. Resultados e Discussão: Os estudos indicam que o rosto é a região mais afetada em episódios de violência interpessoal. Tecnicamente, as agressões resultam em padrões específicos: a mandíbula, devido à sua proeminência, é um dos ossos mais susceptíveis, com prevalência de 36% a 70% em fraturas faciais. Além da mandíbula, os ossos nasais (50,9%) e o complexo zigomático-orbitário são áreas frequentemente atingidas por impactos contundentes. A biomecânica desses traumas gera lesões que podem causar sequelas funcionais, como limitação da abertura bucal e dor à palpação. O profissional deve estar atento à discordância entre o relato da paciente e a gravidade clínica, pois o medo frequentemente mascara a etiologia real. A conduta deve incluir notificação compulsória e reabilitação que una a técnica cirúrgica ao suporte psicossocial. Conclusão: A violência contra a mulher é um fator determinante na epidemiologia das fraturas faciais. O tratamento não pode se limitar a placas e parafusos de titânio; ele exige uma conexão real com as redes de proteção social. Reabilitar a função e a estética é apenas parte do processo, que só se completa quando garante a dignidade e a segurança da paciente frente ao agressor.Publicado
2026-05-16
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Resumos Simples