PERCEPÇÃO DA POPULAÇÃO DE ANÁPOLIS-GO SOBRE ZIKA E CHIKUNGUNYA

  • Gabriela Lima Pereira Unievangélica
  • Claudio Henrique Martins De Souza
  • Geovanna Lemos Batista De Oliveira
  • Letícia Maiara Nunes Araújo
  • Mariana Sousa Lopes
  • Léa Resende Moura
Palavras-chave: Aedes, Saúde Pública, Comunicação em Saúde

Resumo

Zika e Chikungunya são arboviroses transmitidas pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti. Trata-se de doenças causadoras de epidemias mundiais, especialmente no Brasil, que são muitas vezes negligenciadas pela população e pelas ações em saúde pública governamentais brasileiras, principalmente quanto ao repasse das informações em saúde, culminando na falha do controle do vetor e consequentemente crescente transmissão dessas doenças (VALLE; PIMENTA; AGUIAR, 2016; CHAVES et al., 2016).

Visando tal entendimento, este estudo teve como objetivo determinar o nível de conhecimento da população de Anápolis, Goiás, a respeito dos sintomas, sinais clínicos e formas de transmissão das doenças Zika e Chikungunya. Aliado a isso, foi feito um diagnóstico dos principais meios de comunicação utilizados para difundir essas informações, visto que, quando se fala em saúde pública é importante compreender o processo pelo qual as informações atingem as comunidades, circulam e são interpretadas e internalizadas por seus integrantes, uma vez que, de maneira ágil ou não, seu contexto é essencial para construção de estratégias tanto de prevenção quanto de combate a doenças epidêmicas como Zika e Chikungunya (VILLELA; ALMEIDA, 2012).

Realizou-se um estudo transversal e descritivo por meio da aplicação de um questionário semi-estruturado, de fácil entendimento à população em geral, na forma de entrevista. O estudo foi realizado em residências de 16 bairros de Anápolis-GO, previamente escolhidos por meio de sorteio. A estratificação de Anápolis-GO foi obtida com base em um mapa criado com dados do Google Earth no qual foi feita uma divisão da cidade em quatro regiões, de acordo com os pontos cardiais, tendo como o marco zero o cruzamento entre as avenidas Brasil Sul e Brasil Norte (sentido horizontal) e as Rodovias Federais BR330 e BR060 (sentido vertical), conforme critérios adaptados de Ferrari et al. (1998). Cada quadrante foi dividido em bairros centrais e periféricos. Após esta divisão, a randomização dos bairros foi realizada via sorteio em envelopes lacrados. Para o cálculo amostral considerou-se que a população acima de 18 anos de Anápolis-GO, no ano de 2017, era constituída por 226.875 pessoas. Neste o erro padrão de estimativa adotado foi de 5%. A amostra calculada foi de 384 participantes. Os resultados foram apresentados na forma de frequência simples e percentual.

A partir dos 432 participantes da pesquisa obteve-se um alto percentual de entrevistados que se diziam conhecer as doenças Zika e Chikungunya, variando entre 96,3% e 78,9% respectivamente. Roriz, Peres e Ramos (2016) observaram em seu estudo que apenas 43% dos estudantes responderam corretamente o que é Zika e 21% souberam informar o que é Chikungunya. Tal fato pode ser explicado pela incoerência entre o real conhecimento da população e o que ela acredita conhecer sobre essas doenças.

Quanto à transmissão, a resposta “por mosquitos” foi apontada por mais de 80% dos entrevistados para ambas as doenças. No entanto, a transmissão vertical (22,2%) e por contato sexual (10,4%), que são formas comprovadas de transmissão da Zika, foram apontadas por uma menor quantidade de entrevistados. Quanto aos sinais e sintomas, as opções mais apontadas foram febre e dor de cabeça. Sinais específicos da Zika como microcefalia e conjuntivite foram marcados por 55,1% e 10% da população pesquisada, respectivamente. No estudo de Roriz, Peres e Ramos (2016) os sintomas mais bem indicados para Zika foram dor articular (50%) e erupções cutâneas (79%). Quanto à Chikungunya, 57% dos entrevistados apontaram a conjuntivite. Quanto aos meios de informação relatados pelos entrevistados houve destaque para a televisão representando 93,5% de respostas, seguido da Internet com 54,6%.

Diante desses resultados é possível inferir que a população pesquisada parece estar familiarizada com essas duas doenças recém-chegadas no Brasil. Uma hipótese para tal constatação é o fato de apesar de recentes, tais doenças foram tratadas de forma alarmante na mídia, principalmente no caso da Zika (RORIZ; PERES; RAMOS, 2016). No entanto, ainda existe um déficit de conhecimento a respeito de aspectos clínicos e formas de transmissão mais específicas de cada uma. Esta situação pode ser suspeitada pela incapacidade das informações em saúde pública serem incorporadas ao saber popular. Um dado ainda mais alarmante se refere às formas de transmissão da Zika, as quais apresentaram nesta pesquisa resultados insatisfatórios sobre o conhecimento das formas de transmissão por contato sexual e vertical, demonstrando que há uma perigosa porta para a propagação desta doença e, provavelmente, comunicação ineficiente entre os meios de comunicação e a mídia (ARAÚJO, 2009). Em outro estudo, também foi constato que um baixo percentual (12,5%) das gestantes conhecia a forma de transmissão sexual da Zika e apenas 28,1% delas se incluíram no grupo de risco para contração da doença, o que reforça a ideia de que a falta de conhecimento produz prevenção ineficaz (RODRIGUES, 2018).

Por fim, quando interrogado à população de Anápolis-GO sobre em quais meios de comunicação se obteve informações sobre Zika e Chikungunya, a maioria dos participantes citaram a televisão, seguida de internet e rádio. Os menos citados foram professores da faculdade/escola, profissional de saúde (médico, enfermeiro, agente de saúde), material educativo (cartazes, panfletos, etc.), mostrando que mesmo com o advento da internet, a televisão, ainda nos dias de hoje, possui caráter decisivo nas informações recebidas pela população. De acordo com Araújo (2009) a mídia atualmente se faz presente em todas as instâncias sociais. Cabe ao Ministério da Saúde e suas demais instâncias se apropriar de tal ferramenta de forma a propagar informações de qualidade e que garantam mudança de comportamento à nível social de forma a atingir o controle de tais doenças.

Conclui-se que a população estudada acredita conhecer tais doenças, mas não apresenta informações suficientes para reconhecer sinais, sintomas e formas específicas de transmissão da Zika, demonstrando de forma satisfatória apenas o conhecimento da transmissão pela picada do mosquito vetor. O meio de informação mais utilizado para obtenção dessas informações é a televisão, que pode ser a estratégia utilizada pelo governo para alcançar um nível mais elevado de conhecimento e mudança de atitude na população no enfrentamento à tais doenças.

Publicado
2019-01-24
Edição
Seção
PBIC - UniEVANGÉLICA