USO DE ANTIMICROBIANOS NA PECUÁRIA E A RESISTÊNCIA MICROBIANA EM HUMANOS

Autores

  • Jeisianne Batista Barbosa de Souza
  • Klystenes da Silva Lima
  • Laura Vieira Melo
  • Wender Vinícius de Souza
  • José Igor Ferreira Santos Jesus Faculdade Evangélica de Goianésia - FACEG

Palavras-chave:

Farmacologia e Probiótico, Resistência Microbiana a Medicamentos, Saúde Pública

Resumo

Introdução: Em termos de saúde pública, a resistência bacteriana representa um risco à qualidade de vida humana. Um dos principais fatores que contribuem para o surgimento de bactérias resistentes tem sido o uso maciço de antimicrobianos para promoção do crescimento e prevenção de doenças por vários anos na produção animal. Diferentes estudos demonstraram uma estreita associação entre o uso de antibióticos na produção animal e a RM em humanos. Quando os antibióticos utilizados na saúde humana e na saúde animal possuem os mesmos princípios ativos, as bactérias que se tornaram resistentes em virtude do antibiótico utilizado no tratamento de animais afetarão a saúde humana. Esse fenômeno é chamado de resistência cruzada de antimicrobianos. Sendo assim, objetiva-se avaliar o uso de fármacos na pecuária e sua relevância na AMR em humanos, tendo como foco seu uso indiscriminado, sua má administração e o efeito de seus resíduos acima do permitido pela legislação. Metodologia: Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica utilizando as seguintes bases de dados: Scielo, Science Direct, Portal Virtual em Saúde (BVS) e PubMed. Foram utilizados os seguintes descritores e suas combinações nas línguas portuguesa e inglesa: “Resistência Microbiana a Medicamentos, “Saúde Pública”, “Farmacologia” e “Probiótico”. Resultados: A magnitude do impacto na saúde pública da ingestão de alimentos com resíduos de antibióticos ainda não está completamente elucidada. No entanto, há evidências suficientes para que cause apreensão. É irrefutável o fato de que a exposição contínua a antimicrobianos é responsável pelo surgimento de resistência bacteriana, dependendo de seus períodos de exposição e níveis de concentração. Os resíduos de drogas normalmente aparecem em carnes, leite, ovos e mel em concentrações baixas e, portanto, os riscos à saúde pública são praticamente excluídos. As exceções são feitas a alguns efeitos colaterais não relacionados à dose, como as reações alérgicas que podem surgir em consumidores sensibilizados por resíduos de lactâmicos. Resíduos em níveis maiores podem ocorrer nos produtos comestíveis de origem animal quando os produtos veterinários forem utilizados incorretamente ou pelo descumprimento dos períodos de carência. Já foram detectado e quantificado resíduos de antibióticos em fígado, músculo e rim de suínos abatidos em matadouros. Após as análises, conclui-se que as amostras não demonstraram a ocorrência desses resíduos de antibióticos nesses suínos, ou os níveis encontrados estavam dentro dos padrões permitidos pelos órgãos de saúde pública e de inspeção sanitária. No estado do Paraná, resíduos de antibióticos foram pesquisados em 79 amostras de leite pasteurizado do tipo B de diferentes fabricantes adquiridos em estabelecimentos comerciais, onde foram encontrados resíduos em 15 (19%) amostras, das quais seis (40%) estavam contaminadas por cloranfenicol, três (20%) por tetraciclinas, três (20%) por estreptomicina, duas (13,3%) por β-lactâmicos, três (3,8%) amostras estavam contaminadas por dois tipos de resíduo simultaneamente e uma (6,7%) por gentamicina. Considerações finais: As reduções no uso de antimicrobianos na pecuária podem ser alcançadas através da identificação de alternativas antimicrobianas eficazes, bem como da identificação precisa e rigorosa de casos que requerem terapia antimicrobiana.

Publicado

2022-10-18