DESENVOLVIMENTO E PRODUÇÃO DE MILHO VERDE SOB DOSES DE UREIA EM COBERTURA

Autores

  • Diogo Jânio de Carvalho Matos
  • RODRIGO FERNANDES DE SOUZA
  • ANA PAULA CIPRIANO BORGES

Resumo

INTRODUÇÃO
O milho (Zea mays L.), pertencente à família Poaceae, originário das Américas, sendo cultivado praticamente em todo o mundo. Cereal de maior expressividade na economia do Brasil, principalmente pela diversidade em sua utilização (grãos ou verde), sendo base da alimentação humana, animal e matéria-prima para a indústria (ROCHA, 2010; RIVERA, 2006).
O Brasil, com área cultivada superior a 16 milhões de hectares, com expectativa de produção que ultrapassa 83 milhões de toneladas na safra 2016/2017, ocupando a posição de terceiro maior produtor mundial deste cereal. No mesmo período Goiás prevê produção maior que 9 milhões de toneladas, com 1,5 milhões de hectares de área plantada, chegando a produtividade média de 6 toneladas por hectare (CONAB, 2016; FORMIGONI; 2016).
Mesmo apresentando grande importância para a economia do país, a produtividade dessa cultura é considerada baixa, Assis et al. (2006) afirmam que o potencial produtivo do milho chega a ser superior a 19 t.ha-1, no entanto a produtividade média brasileira foi em torno 5. t.ha-1, na safra de 2016/2017.
Apesar de não se ter informações recentes sobre a produção de milho verde no país, sabe-se que é uma atividade exclusiva de pequenos e médios produtores. Passou a ter valor econômico importante para a agricultura familiar, principalmente por ter uma boa aceitação no consumo in natura e pelas indústrias de conservas alimentícias. O baixo nível tecnológico destes produtores tem sido fator de grande influência na baixa produtividade desta cultura no país (ISRAEL FILHO, 2008).
Atualmente no mercado existe elevado número de sementes, que possuem bases genéticas distintas, visando atender a necessidade do produtor e consumidor. Porém, para o cultivo de milho verde, a quantidade de cultivares disponível no mercado, ainda é baixa, 4% das 467 cultivares disponíveis. Deste total, somente 12 cultivares são indicadas para região Centro-Oeste, potencializando ainda mais o resultado da não interação genótipo e ambiente (COSTA et al., 2015; ISRAEL FILHO, 2008).
O nitrogênio é essencial para o metabolismo das plantas, sendo importante na biossíntese de proteína, enzimas e clorofila, com importância desde os estádios fenológicos iniciais da cultura, com influência direta no crescimento e desenvolvimento,
sendo o nutriente mais exigido e absorvido na cultura do milho (DEMARI, 2014; DUETE et al., 2008; SANTOS et al., 2013).
Os solos agrícolas apresentam em seu perfil grande quantidade de nitrogênio (N), sendo a matéria orgânica a principal fonte deste nutriente. Para a absorção é necessária a liberação em formas minerais, no entanto a disponibilidade deste nutriente para as plantas é determinada por diversas características edafoclimáticas (MENEGHIN et al., 2008; DEMARI, 2014; SANTOS et al., 2010).
A demanda por N aumenta quando a planta já possui de quatro a cinco folhas expandidas (estádio V6), interferindo diretamente na formação e quantidade de espigas (DEMARI, 2014; DUETE et al., 2008), sendo esta época a mais indicada para a operação de adubação de cobertura.
Nas lavouras comerciais de milho, em média as doses variam de 60 a 160Kg ha-1 de N em cobertura no cultivo de milho, diferindo as doses para plantio em sequeiro e irrigado. Entretanto, sabe-se que a resposta das plantas à aplicação do N pode estar relacionada, entre outros fatores, com características genéticas dos materiais utilizados (AMARAL FILHO et al., 2005; COELHO, 2007; PAVINATO et al., 2008; SANTOS et al., 2013; TAFFAREL et al., 2012).
A utilização da ureia na superfície do solo é utilizada principalmente em cobertura como adubação nitrogenada. Considerando o custo por unidade de N, é uma das fontes mais viáveis economicamente para o cultivo. No entanto, a volatilização de N é a principal desvantagem desta fonte nitrogenada (OLIVEIRA; CAIRES, 2003; GOES et al., 2013; SECRETTI et al., 2013).
Embora diversos trabalhos indiquem a adubação nitrogenada em cobertura como forma de incrementar a produtividade, esta prática eleva o custo da produção, pelo baixo aproveitamento do N em forma mineral aplicado no solo, ocorrendo perdas por lixiviação e desnitrificação, chegando a não suprir a demanda de N pela cultura (LUNELLI et al., 2010; SANTOS et al., 2010).
Os híbridos duplos possuem grande potencial produtivo, podendo ser pouco influenciados pelo incremento no teor de adubação. Contudo, a redução dos adubos nitrogenados na produção, tem influência direta na redução dos custos totais de produção (HANASHIRO et al., 2013).
Diante do exposto, objetivou-se com este trabalho avaliar o desenvolvimento, produção e rendimento econômico de milho verde em função de doses de nitrogênio em adubação de cobertura.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido na zona rural do distrito de Souzalândia – Barro Alto, Goiás, na Chácara Pouso Alegre, situada a 15°07’13.65” S e 48°56’33.03” O, com altitude de 589m. O clima da região, segundo a classificação de Koppen, é do tipo Aw,
clima tropical e com chuvas de verão, precipitação média anual da região de 1524 mm e temperatura média de 24,7ºC. O solo da área experimental é classificado como Latossolo Vermelho, de textura argilosa (SANTOS et al., 2006).
Para implantação do experimento, foi realizada análise de solo onde foram coletados 20 pontos para compor a amostra composta. Os resultados da análise de solo são apresentados na Tabela 1.
Os teores obtidos nas análises de solo para os nutrientes analisados, corroboram com teores recomendados por Sousa e Lobato (2004) para a cultura do milho no cerrado. Diante dos teores presentes de Ca2+, Mg2+, Al3+ e saturação de base, não se fez necessário a realização de calagem para correção da área experimental.
O preparo da área foi realizado em sistema convencional, utilizando-se grade aradora, tendo sido realizadas duas gradagens. A semeadura foi realizada manualmente no dia 27 de novembro de 2016, com o uso de um híbrido duplo, variedade Truck, tecnologia da empresa Syngenta®. Aplicou-se, na ocasião da semeadura, 400 kg.ha-1 da fórmula comercial 4-30-10. Aos 17 dias após a semeadura (DAS) foi realizado o desbaste, mantendo-se 6 plantas/metro linear (população de 75.000 pls.ha-1).
O experimento foi alocado em delineamento de blocos casualizados, com quatro repetições. Os tratamentos utilizados foram três doses de nitrogênio (60, 120 e 180 Kg.ha-1) aplicados em cobertura e uma testemunha sem adubação.
A distribuição das parcelas seguiu as orientações da EMBRAPA (2000), as quais foram constituídas por seis fileiras de plantas com cinco metros de comprimento e espaçadas por 80 centímetros, com um total de 30 plantas por fileiras.
A adubação de cobertura ocorreu aos 30 DAS, com as plantas em estádio vegetativo V6, sexta folha totalmente expandida. Utilizou-se a ureia com 46% de nitrogênio como fonte nitrogenada.
As avaliações fito-técnicas em campo ocorreram nas duas fileiras centrais, sendo considerada a área útil de 8 m2 de cada parcela. As características avaliadas foram:
- Altura de plantas: determinada pela altura média de 25 plantas na área experimental, medida do nível do solo até a inserção da folha bandeira. As avaliações foram realizadas aos 45, 52 e 67 DAS.
- Diâmetro do caule: determinada no primeiro entrenó acima do colo da planta, medido com uso de paquímetro digital, após a planta atingir a maturidade fisiológica.
- Altura de inserção da espiga: determinada a partir do solo à base do pedúnculo da primeira espiga, com a planta em plena maturidade fisiológica, as medidas expressas em centímetros.
Por ocasião da colheita das espigas de milho verde foram avaliadas as seguintes características:
- Número de espigas por hectare: determinado pelo número de espigas comerciais da parcela experimental, estimado para um hectare.
- Peso médio das espigas com palha: em cada parcela foi coletada uma amostra representativa de 5 espigas, pesadas com as palhas, conferindo o peso médio das espigas.
- Peso médio das espigas sem palha: em cada parcela foi coletada uma amostra representativa de 5 espigas, pesadas sem as palhas, conferindo o peso médio das espigas.
- Diâmetro médio das espigas com palha: foi medido o diâmetro total das espigas com palha, coletadas como amostras representativas de 5 espigas por parcela, conferindo o diâmetro médio das espigas.
- Diâmetro médio das espigas sem palha: foi medido o diâmetro total das espigas sem palha, coletadas como amostras representativas de 5 espigas de cada parcela, conferindo o diâmetro médio das espigas.
- Comprimento médio das espigas com palha: foi medido o comprimento total das espigas com palha, coletadas como amostras representativas de 5 espigas de cada parcela, conferindo o comprimento médio das espigas.
- Comprimento médio das espigas sem palha: foi medido o comprimento total das espigas sem palha, coletadas como amostras representativas de 5 espigas de cada parcela, conferindo o comprimento médio das espigas.
- Massa fresca de parte aérea: foi coletada toda parte aérea de plantas de cada parcela (incluindo as espigas), cortadas e pesadas conferindo o peso de massa fresca.
- Massa seca de parte aérea: após a pesagem da massa fresca das amostras coletadas da parte aérea, as amostras foram levadas para secagem em uma estufa de ventilação forçada à 60°C à 72 horas, sendo posteriormente pesadas conferindo o peso de massa seca da parte aérea (incluindo as espigas) de cada amostra.
- Análise econômica: Os custos referentes à produção de milho verde para a Região de Barro Alto –GO foram levantados em revendas da região, bem como com prestadores de serviços para as operações de preparo do solo e plantio mecanizado. Os valores atribuídos para mão de obra, considerados neste estudo referem-se aos valores médios pagos pelas diárias de trabalhadores da área agrícola na região.
Os dados das variáveis fito-técnicas analisadas foram submetidos à análise de regressão, e para diferenciação dos tratamentos utilizou-se o Teste F, para tanto, utilizou-se o software estatístico ASSISTAT 7.7 Beta (SILVA; AZEVEDO, 2009).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Diante dos resultados obtidos, o diâmetro do caule, altura de planta, altura de inserção da primeira espiga, o número de espigas/hectare e a produção de massa seca, não sofreram influência significativa (p<0,05) com os incrementos de N em cobertura (Tabela 2). Nossos resultados corroboram com os encontrados nos trabalhos desenvolvidos por Aratini et al. (2006), Taffarel et al. (2012) e Valderrama et al. (2011).
Guareschi et al. (2013) no trabalho que desenvolveram sobre a cultura do milho em função da aplicação de fontes e doses de ureia em cobertura na cidade de Rio Verde, GO,
obtiveram resultados semelhantes aos encontrados neste estudo, em que as variáveis massa fresca e massa seca não sofreram influência significativa.
Embora não tenha apresentado diferenças significativas para as variáveis apresentadas na Tabela 2, diversos autores atribuem a aplicação de nitrogênio na cultura do milho com a qualidade da silagem para fornecimento aos animais, como incremento nos teores de proteína e nutrientes minerais (FERREIRA et al., 2001).
Além disso, como descrito no trabalho realizados por Basi et al. (2011) o nitrogênio influencia tanto na qualidade da silagem, quanto na qualidade dos grãos, o que foi explicado pela melhor nutrição da planta com nitrogênio, e, consequentemente, melhor valor nutricional da silagem produzida.
As doses aplicadas em cobertura não influenciaram significativamente no peso, diâmetro e comprimento da espiga (Tabela 3).
Para a produção de espiga Dantas et al. (2014) obtiveram aumento linear com o acréscimo nas doses de adubação nitrogenada em seu estudo, diferindo dos resultados encontrados neste trabalho que não apresentaram influência significativa nos tratamentos utilizados.
O peso da espiga não sofreu influência significativa das doses utilizadas em cobertura, resultados semelhantes foram encontrados por Dantas et al. (2014) quando avaliou a produtividade de espigas e grãos verde de milho adubado com fontes e doses de nitrogênio em Areia-PB.
Para diâmetro de espiga com e sem palha, os dados obtidos no presente trabalho corroboram com os encontrados por Lopes et al. (2010) ao analisarem a influência da adubação nitrogenada em cobertura na cultura do milho na região de Mauá da Serra – PR.
Resultados semelhantes para comprimento de espiga foram encontrados por Cruz et al. (2008) e Fernandes et al. (2005) que verificaram não haver efeito das doses de N em cobertura para esta variável, diferindo dos dados obtidos por Lopes et al. (2010).
A ausência de diferenças entre as doses avaliadas para as características fito-técnicas pode ser explicada, segundo Tafarrel et al. (2012) pelas características dos genótipos da cultivar utilizada, pois estas informações genéticas podem influenciar nas características altura de planta, altura de inserção da espiga e diâmetro de colmo mais do que o próprio ambiente de produção, desde que este não apresente nenhuma limitação para o cultivo.
Para o presente estudo, confirma-se o sugerido por Taffarel et al. (2012) uma vez que o solo utilizado neste trabalho foi classificado como adequado para o cultivo de milho, conforme resultados obtidos na análise de solos e recomendações de Sousa e Lobato (2004).
Nota-se que, apesar de não haver significância para as características em todas as análises, o coeficiente de variação (CV) para as variáveis, aponta baixa dispersão dos dados, foram inferiores a 10%, comprovando a boa precisão experimental (Tabela 2 e Tabela 3).
Os custos de produção referentes a aquisição de insumos apresentaram valores crescentes de acordo com a dose aplicada em cobertura, uma vez que o custo da ureia é incrementado de acordo com a quantidade aplicada (Tabela 4).
As espigas ao atingirem o ponto de estádio leitoso (R3), de acordo com Costa et al. (2015) é o ponto de colheita para o consumo de milho verde in natura. As espigas avaliadas neste trabalho se apresentavam satisfatórias à esta característica.
Em serviços, os valores diferenciaram no item adubação de cobertura, nos tratamentos que receberam esta adubação em relação a testemunha, assim contribuindo para um maior custo total da produção de milho verde.
Quando se utiliza os valores relacionados a comercialização, o valor atribuído para a unidade de espiga comercializada foi de R$0,38, valor médio praticado na região do estudo. Com isso, cada tratamento apresentou quantidade de espigas viáveis comercializáveis considerada aceitável, contribuindo para obtenção da receita bruta.
Observou-se, então, que a dose 60 kg.ha-1 demonstrou ser economicamente mais viável que os demais tratamentos, com maior número de espigas viáveis (98.125) produzidas, e menor custo total (R$2.426,80) em relação àqueles que receberam adubação em cobertura. Este menor valor pode ser explicado pois o nitrogênio é o nutriente que mais onera o custo de produção. Resultados semelhantes foram encontrados por Aratini et al. (2006), que realizaram a análise econômica da produção de milho em função da adubação nitrogenada de cobertura em Selvíra-MS.
O aumento da produtividade está ligado à altas doses de adubação nitrogenada, sendo aplicado na base e cobertura. Assim, o manejo do nitrogênio é fator limitante no que diz respeito a rendimento e produtividade (DEMARI, 2014; DUETE et al., 2008).
No trabalho sobre adubação e nutrição do milho, desenvolvido por Coelho (2007), explana sobre a influencias de doses de nitrogênio para esta cultura, onde 60 Kg.ha-1 de nitrogênio obteve uma produtividade de 5,339 Kg.ha-1 de espigas e com uma dose de 120 Kg.ha-1 a produtividade de 7,589 Kg.ha-1 de espigas.
Estudos realizados por Costa et al. (2015) explanam sobre a importância de mais pesquisas sobre a respostas das cultivares de milho à adubação nitrogenada na região Centro-Oeste, visando com tais informações esclarecimentos, possibilitando aos produtores explorar ao máximo o potencial produtivo das cultivares, tanto para o cultivo destinado a produção de grão quanto in natura.
Novos trabalhos com este tema devem ser realizados na região para esgotar as possíveis causas da ausência de influência da adubação nitrogenada em cobertura na cultura, especialmente para comercialização de milho verde.
CONCLUSÕES
As doses crescentes de adubação nitrogenada em cobertura não influenciaram no desenvolvimento das características fito-técnicas do milho verde cultivado nas condições edafoclimáticas de Barro Alto – GO.
A produtividade total de milho verde não sofreu interferência da adubação de cobertura.
Do ponto de vista econômico, a dose de 60kg.ha-1 é a mais indicada, por apresentar a maior produção de espigas por hectare em relação às demais.

Publicado

2018-07-25