INCIDÊNCIA DE PERI-IMPLANTITE, SUCESSO E SOBREVIVÊNCIA DE IMPLANTES OSSEOINTEGRADOS, AVALIAÇÃO RADIOGRÁFICA E DE SATISFAÇÃO: ESTUDO RETROSPECTIVO

  • Jeane Katiuscia Silva UniEvangélica
  • Alex da Rocha Gonçalves
  • Daniela Leal Zandim Barcelos
  • Lélis Gustavo Nicoli
  • Luiz Guilherme Freitas de Paula
  • Rogério Ribeiro de Paiva

Resumo

O tratamento reabilitador com implantes osseointegrados vem se mostrando importante modalidade terapêutica nas últimas décadas e tem como objetivo a obtenção da reabilitação funcional/estética, mas, sobretudo, ser um tratamento com alta taxa de sucesso e sobrevivência (BUSER, 2012). Desta forma, é de se esperar que os fatores associados à longevidade dos implantes osseointegrados, sejam objeto de intensa investigação no meio acadêmico. Este estudo retrospectivo teve como objetivo analisar o sucesso e a longevidade dos implantes osseointegrados, por meio de uma etapa clínica e radiográfica, permitindo, assim, realizar a estimativa da prevalência e incidência da perda de implantes. A análise da satisfação do paciente em relação aos implantes osseointegrados e da qualidade de vida também foi realizada.

Este estudo longitudinal, retrospectivo de coorte e multicêntrico, foi realizado na Clínica Odontológica de ensino do Curso de Odontologia da UniEvangélica, Anápolis, Goiás. Por se tratar de um estudo multicêntrico, esta pesquisa também esteve em desenvolvimento na faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP. Foram selecionados cinquenta (n=50), que já passaram por procedimento de implantes da Clínica Odontológica de ensino do Curso de Odontologia da UniEvangélica e/ou Curso de Implante da Associação Brasileira de Odontologia (ABO) Anápolis, Goiás, mas dentre estes apenas vinte e três (n=23) atenderam os critérios de inclusão, sendo estes: pacientes que apresentarem boas condições de saúde geral e tenham sido reabilitados com implantes osseointegrados. Os critérios de exclusão adotados foram: Pacientes reabilitados em que já houve perda do implante ou que não aceitaram participar do estudo.  Previamente à avaliação inicial, os pacientes foram esclarecidos sobre os objetivos do presente estudo através de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, onde foi elucidado sobre os benefícios e riscos associados à sua participação neste estudo.

A parte clínica consistiu em uma avaliação de 72 implantes. Também foram consultados os prontuários dos pacientes participantes da pesquisa para coleta de informações referentes ao procedimento cirúrgico de instalação dos implantes e conjuntamente com todas as informações coletadas por meio da realização do exame clínico foram registradas em uma ficha elaborada para este estudo. Já na etapa da analise radiográfica dos implantes osseointegrados foram feitas imagens digitais realizadas no Centro de Diagnóstico de Imagens (CDI) do Centro Universitário de Anápolis, obtidas utilizando placas de fósforo, envoltas em barreira mecânicas protetoras, lacradas em sua extremidade por selador térmico. Essas foram posicionadas de modo semelhante as tomadas radiográficas que utilizam filmes convencionais e técnica utilizada foi a do paralelismo com auxílio de posicionadores radiográficos Cone indicator (Indusbello). A exposição foi realizada com o equipamento gerador de raios X (KaVo FOCUS X) que possui um tempo de exposição de 0,2 – 3,2 segundos, filtragem total de 70 Kv, corrente de 7mA. As imagens foram reveladas utilizando o sistema Scan eXam (KaVo), tratadas e manuseadas através de um software (Cliniview) sendo a avaliação realizada conferindo a integridade óssea ao redor das espiras dos implantares. Posteriormente à realização dos exames radiográficos os pacientes responderam dois questionários aplicados pelos pesquisadores em consultório modelo privativo no Centro Universitário de Anápolis: um relacionado à qualidade de vida e outro de satisfação em relação ao tratamento com implantes osseointegrados. Para avaliação da qualidade de vida, foi utilizado o questionário fechado OHIP-14 (Oral health impact profile-short form) um questionário reduzido abrangendo aspectos como: limitação funcional, dor, desconforto psicológico, incapacidade física, incapacidade psicológica, incapacidade social e deficiência, sendo as respostas classificadas em nunca houve, raramente, às vezes, repetidamente e sempre (ALZAREA, 2016), enquanto a satisfação foi mensurada de acordo com o questionário composto por 9 perguntas fechadas que consideram aspectos como custo dos implantes, estética, conforto, expectativas, higiene oral,  classificadas em totalmente satisfeito, suficientemente satisfeito, não muito satisfeito e totalmente insatisfeito (PJETURSSON et al., 2005)

Foram selecionados 50 pacientes que se submeteram à reabilitação oral sobre implantes no Curso de Especialização em Implantodontia da FOA-UniEvangélica e do curso de Especialização em implantodontia da ABO-Goiás entre os anos de 2014 a 2017. Desta amostra total 14 não demonstraram interesse em participar do estudo, 8 não foram contadados ou localizados, 5 estavam realizando acompanhamento em outra instituição e 23 concordaram em participar do estudo.

Foram avaliados, 72 implantes sendo classificados da seguinte forma: 16 implantes sobreviventes e 56 implantes com sucesso. Assim, a taxa de sucesso foi de 77%. Entre os implantes avaliados, 38 (70,38%) estavam sem alteração inflamatória, 16 (29,62%) apresentavam mucosite e em nenhum dos participantes foi diagnosticado peri-implantite. A idade média dos pacientes avaliados foi de 54 anos. Os achados radiográficos avaliados pelos pesquisadores encontraram-se em consonância com a avaliação clínica.

A avaliação realizada por meio de dois questionários, o OHIP-14 (Oral health impact profile-short form), que avalia de maneira adequada e satisfatória a percepção do paciente em relação aos implantes osseointegrados, considerando de maneira integral o paciente englobando aspectos como: limitação funcional, dor, desconforto psicológico, incapacidade física, incapacidade psicológica, incapacidade social e deficiência. No aspecto de limitação funcional 55% relataram nunca houve, 27% raramente e 18% às vezes; Aspecto dor 72% nunca houve, 18% raramente; Aspecto desconforto psicológico 64% nunca houve, 18% raramente, 18% às vezes; Aspecto incapacidade física 91% nunca houve, 9% às vezes; Aspecto incapacidade psicológica 64% nunca houve, 18% raramente e 18% às vezes; Aspecto incapacidade social 100% nunca houve; Aspecto deficiência 100% nunca houve. Esse questionário é uma poderosa ferramenta para a avaliação da reabilitação oral de implantes osseointegrados, apresentando resultados significativamente satisfatórios. Quando comparados aos dados obtidos por ALZAREA (2016) podemos concluir que o uso da terapêutica com implantes tem impacto relevante sobre a vida dos pacientes, sendo necessária que seja levada em consideração a concepção do paciente para determinação do sucesso da reabilitação.

Assim como no estudo realizado por PJETURSSON et al., (2005), as perguntas apontaram que um dos aspectos mais importantes para o paciente está relacionado à estética e capacidade de limpeza dos implantes. No presente estudo 90% dos pacientes relataram estar totalmente satisfeitos ou suficientemente satisfeitos em relação a estética apresentada pela reabilitação, resultado semelhante ao encontrado no estudo de PJETURSSON et al., (2005), onde 97% dos pacientes apontaram estar totalmente satisfeitos ou suficientemente satisfeitos. No que diz respeito a limpeza dos implantes 87% dos pacientes afirmaram estar totalmente satisfeitos com a capacidade de limpeza dos implantes e 13% apresentaram-se suficientemente satisfeitos. Quanto ao aspecto funcional foram considerados dados como a mastigação, fonação e estabilidade onde 86% dos pacientes se mostraram totalmente satisfeitos e 14% suficientemente satisfeitos. Já no tocante as expectativas dos pacientes 77% afirmaram estar totalmente satisfeitos, 18% suficientemente satisfeitos e 5% não muito satisfeito. Os custos referentes a essa terapia são uma importante variável onde 43% totalmente satisfeitos, 30% satisfeitos e 27% não muito satisfeitos.

Os resultados da análise radiográfica, associada ao exame clínico e aplicação do questionário de satisfação e qualidade de vida demostraram que o protocolo utilizado para implantes osseointegrados têm sido efetivos na reabilitação de espaços edêntulos, além de apresentarem um importante papel no restabelecimento da dignidade do paciente, dado reafirmado por meio dos resultados obtidos com a aplicação dos questionários que confirmam a importância da saúde bucal nos aspectos sociais, psicológicos, fisiológicos e funcionais.

Publicado
2019-01-24