Percepção da população de Anápolis, Goiás sobre a Dengue

  • Geovanna Batista Lemos Unievangelica
  • Gabriela Pereira Lima Unievangelica
  • Claudio Henrique Martins de Souza Unievangelica
  • Mariana Sousa Lopes
  • Letícia Maiara Nunes Araújo Unievangelica
  • Lea Resende Moura

Resumo

A Dengue é uma arbovirose transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti. É uma doença causadora de epidemias mundiais e no Brasil foram observados altos índices nos últimos anos, de acordo com os boletins epidemiológicos disponibilizados pelo Ministério da Saúde. Neste ano, até a Semana Epidemiológica 34 (31/12/2017 a 25/08/2018), foram registrados 198.754 casos prováveis de Dengue no país (BRASIL, 2018). Diante de epidemias, o processo de informação e de educação da sociedade se torna fundamental para o governo, no sentido de esclarecer os fatos, transmitir conhecimento e orientar a população de como se prevenir determinada doença (VILLELA; ALMEIDA, 2012).

Estudos realizados com foco na Dengue apontam que a participação efetiva da população e a mobilização social se relacionam aos melhores resultados no combate à doença e que a mudança de comportamento da população faz-se ainda mais importante quando envolve a eliminação dos criadouros para o Ae. aegypti no ambiente doméstico (NASCIMENTO, 2004). Outro ponto importante é a continuidade das medidas, inclusive em épocas do ano com baixa ou nenhuma transmissão da doença, incorporando práticas preventivas pela população. Tais práticas levaram inclusive à melhoria das condições sanitárias e redução de gastos com inseticidas. A fim de se adotar um planejamento voltado para o processo educativo, é preciso analisar o diagnóstico inicial da comunidade, investigar o conhecimento e a percepção da população a respeito do vetor e da doença, os hábitos e as características socioculturais relacionadas a estes. Assim, a partir desse entendimento é possível focar em meios de comunicação específicos para atingir diferentes grupos na população e planejar estratégias educativas que atendam o perfil das comunidades (SOUSA, 2016).

Diante disso, o presente estudo teve como objetivo descrever as características sociodemográficas da população de Anápolis, verificar a percepção desta sobre a Dengue, no que se refere ao agente etiológico, formas de transmissão, aspectos clínicos, se a população adere às práticas de combate à transmissão desta doença, além de verificar quais os principais meios de comunicação utilizados por essa população na obtenção das informações em saúde a respeito da Dengue.

Para isso foi realizado um estudo transversal, onde foi aplicado um questionário semi-estruturado de fácil entendimento à população de Anápolis, Goiás, em forma de entrevista, o qual permitiu uma avaliação objetiva do conhecimento da população sobre o vetor, aspectos clínicos e medidas preventivas da Dengue. Para o cálculo amostral levou-se em consideração que a população de Anápolis, considerando apenas pessoas acimas de 18 anos, no ano de 2017, era constituída por 226.875 habitantes. Neste, o erro padrão de estimativa adotado foi de 5% e o nível de confiança de 95% para o cálculo de uma população infinita como sugerido por Levin (2012). O município foi estratificado em quatro macrorregiões, baseados em dados da Secretaria de Saúde local. Cada macrorregião foi dividida em bairros centrais e periféricos. Após esta divisão, a randomização dos bairros foi realizada via sorteio em envelopes lacrados. Foram utilizados oito envelopes, dois para cada região, totalizando dezesseis bairros, sendo quatro bairros por macrorregião. Foram incluídos os participantes com idade acima de 18 anos, que compreendiam o teor das perguntas. Foram excluídos os participantes que não responderam todas as perguntas e os que desistiram de participar da pesquisa, em qualquer momento, independentemente do motivo.

Participaram do estudo 432 entrevistados, com predominância do sexo feminino (61,8%), sendo 38,7% com primeiro grau escolar completo e 41,9% com segundo grau completo, sendo a faixa etária predominante, entre 18 e 39 anos com 54,7% dos participantes. Os resultados desse estudo demonstraram que os participantes, quando questionados, disseram conhecer a Dengue (99,5%), ter conhecimento que o vetor é o mosquito (72,2% dos entrevistados) e que os sinais e sintomas principais são febre, dor de cabeça e nos olhos (acima de 90% ), além de dor muscular e articular (acima de 90%).

Os resultados mostraram bom perfil de conhecimento sobre o vetor Ae. aegypti, sabendo que os locais de reprodução são ‘’vasos, plantas com água, depósitos com água e caixa d’agua destampada’’, os quais foram citados por mais de 90% dos participantes. Evidenciou-se alto conhecimento dos participantes a respeito das medidas de prevenção da Dengue como ‘’lavar periodicamente os reservatórios de água’’ e ‘’ usar telas de proteção’’, que foram apontadas por mais de 95% dos entrevistados.  As medidas de adesão ao combate ao mosquito vetor como, ‘’eliminar depósitos não utilizados de água’’ em suas residências, foram citadas por 97,9% dos entrevistados. Em relação aos recursos de comunicação midiática, os que mais foram utilizados pela população entrevistada para obter informações a respeito desta doença foi a televisão, representando 93,5% das respostas.

Diante desses resultados e pelo fato da maioria absoluta da população relatar o combate do mosquito em suas residências, era de se esperar que a incidência de Dengue estivesse diminuindo ano após ano. Entretanto, o aumento dos surtos dessa doença demonstrou o contrário. Essa percepção é corroborada pelo estudo de Cavalcante, Porto e Tauil (2007) no qual grande maioria dos entrevistados demonstrou conhecimento correto da transmissão da doença e dos meios para reduzir a densidade de mosquitos, porém, a inspeção dos domicílios e peridomicílios feita por eles revelou uma quantidade enorme de potenciais criadouros para os vetores. A mídia muitas vezes falha ao exercer seu papel de informação integral sobre determinado assunto, priorizando interesses particulares e disponibilizando pouco espaço para a população se expressar ou questionar (ARAÚJO, 2009).

Conclui-se que a população mostrou níveis satisfatórios de conhecimento sobre a Dengue, tem plena consciência das medidas de controle do vetor e afirmaram, através da pesquisa, que não só conhecem como praticam o combate do vetor em suas residências. No entanto, incoerentemente, o que se percebe é que os índices de novos casos da doença continuam a crescer a cada ano gerando dúvidas se as ações preventivas estão sendo realizadas da forma correta.

Publicado
2019-01-24