FATORES SOCIOECONÔMICOS E SAÚDE DE CRIANÇAS EM CONTEXTO DE VIOLÊNCIA

  • Erick Oliveira Verner Centro Universitário UNIEVANGÉLICA
Palavras-chave: Maus-tratos Infantis;, Fatores socioeconômicos;, Saúde da criança

Resumo

A violência é um fenômeno que sempre esteve presente no mundo, caracterizado como um processo multicausal, que pode ser influenciado por fatores históricos, culturais, biológicos/individuais, sociais e econômicos. A violência dirigida contra as crianças ocorre todos os dias, em todos os lugares do mundo. Ela envolve a violência física e psicológica, a discriminação, a negligência e os maus-tratos, ocorrendo tanto no ambiente intrafamiliar quanto no extrafamiliar, afetando crianças de todas as classes socioeconômica. Trata-se de um problema não apenas social, mas de saúde, ao desencadear consequências negativas na saúde das crianças, afetando tanto o seu desenvolvimento, físico, cognitivo, emocional e social, quanto o seu crescimento de diferentes formas. O impacto dessa violência não se restringe apenas a infância, podendo-se estender à idade adulta dessas vítimas. Logo torna-se necessário estudar sobre os fatores que envolvem esse problema, a fim de elucida-lo. O objetivo desse estudo é analisar a violência infantil no contexto brasileiro, correlacionando-a com fatores socioeconômicos e investigando o impacto da mesma na saúde das crianças. Para tanto, realizou-se uma revisão sistemática realizada a partir de dados de artigos científicos e documentos sobre a violência do país e violência infantil internacional, além do uso do banco de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) sobre Goiás e o Brasil. Foram usados os bandos de dados da plataforma SciELO e Google Acadêmico, dos últimos dez anos. Foi encontrada uma maior prevalência de violência física e negligência/abandono (0,4/1000 crianças), maior índice de violência sexual contra o sexo feminino (0,6/1000 crianças) e negligência contra o sexo masculino (0,42/1000 crianças), além de uma maior proporção de violência geral contra crianças do sexo feminino. Os principais agressores identificados foram o pai e a mãe, e sobre a etnia, as crianças pardas foram numericamente mais agredidas.  A escolaridade das vítimas mais prevalentemente se restringia ao ensino básico e fundamental incompletos, o que pode ter certa relação com a renda familiar. As consequências da violência infantil se estendem para além do momento da agressão, ao perturbar funções cognitivas e mesmo influenciar na gênese de transtornos psiquiátricos. Conclui-se a importância de estudar o fenômeno da violência infantil e sugere-se uma continuidade dos estudos, visto que as crianças são peças fundamentais para a evolução da humanidade, e para isso precisam das melhores condições para o seu desenvolvimento.

Publicado
2019-01-23