OS BOOSTERS DO SERTÃO: A NATUREZA E A MODERNIDADE URBANA DE GOIÂNIA NOS DISCURSOS DA CIDADE SÍMBOLO DO OESTE BRASILEIRO (1932-1942)

  • Anderson Dutra e Silva
  • Sandro Dutra e Silva
  • Carlos Christian Della Giustina
Palavras-chave: Goiânia, História ambiental, Marcha para o Oeste. Fronteira.

Resumo

A cidade de Goiânia, criada na década de 1930 como a nova capital do estado de Goiás, substituiu a cidade de Goiás, considerada atrasada, do ponto de vista do desenvolvimento industrial e tecnológico no início do século XX, e insalubre, por decisão do interventor Pedro Ludovico Teixeira. De acordo com pressupostos teórico-metodológicos da história ambiental utilizados por William Cronon em seu livro Nature’s Metropolis, fez-se uma análise de relatórios técnicos, publicações de jornais da cidade de Goiás nos anos de 1931 e 1932 e em livros e artigos que tratam da criação da nova capital. Nos anos que precederam a transferência da capital, apoiadores da mudança utilizaram, em seus discursos, aspectos naturais como justificativas para o sucesso do empreendimento. Pode-se, então, traçar um paralelo entre os divulgadores da nova capital com o que Cronon, ao analisar o papel de Chicago como metrópole símbolo do grande Oeste americano, chamou de boosters, que são idealizadores que utilizavam de teorias para atrair investidores para metrópoles que seriam criadas em locais ainda pouco povoados. Com a intenção de compreender os fatores que permitiram que Goiânia figurasse como uma cidade símbolo da interiorização do país, procurou-se identificar, na visão de seus idealizadores e sonhadores, o papel da natureza como elemento atrativo para o desenvolvimento. A primeira década de criação da cidade, no entanto, não demonstrou o avanço desejado e propagado, onde a natureza foi muito mais uma barreira do que um impulso.

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Publicado
2018-12-20
Seção
IX Simpósio Nacional de Ciência e Meio Ambiente – SNCMA