O LIXO NAS SOCIEDADES CONTEMPORÂNEAS: REFLEXÕES A PARTIR DAS CIÊNCIAS SOCIAIS

  • Jéssica Ferreira Cardoso
Palavras-chave: Lixo, Consumo, Sociedade de Consumo, Cultura material, Meio ambiente

Resumo

Este trabalho pretende refletir sobre o lixo nas sociedades contemporâneas a fim de compreender por que, mesmo diante das tecnologias disponíveis e do esclarecimento sobre seus impactos, continuamos produzindo tanto lixo e ele continua sendo um dos principais problemas ambientais. Ele explora algumas contribuições teóricas no âmbito das ciências sociais, privilegiando como recorte espacial a cidade de São Paulo/SP, e se desenvolve em três perspectivas: a partir de uma reconstrução histórica, em que se percebe a construção dos hábitos e valores em torno do lixo juntamente com a incorporação de valores modernos como limpeza, pureza e ordem; a partir de teorias sobre a Sociedade de Consumo, em que o descarte é elemento chave da constituição e manutenção do consumismo; mas também, como parte constitutiva da relação das pessoas com as coisas, ou seja, da própria materialidade do mundo em constante significação e organização, e que portanto, pode ser construída de maneiras outras.

Referências

ABRELPE – Associação Brasileira de Limpeza Pública e de Resíduos Especiais. Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2016. Disponível em . Acessado em 03 abr 2017.
BARBOSA, Livia. Sociedade de consumo. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.
BAUDRILLARD, Jean. A Sociedade de consumo. Lisboa: Edições 70, 2007 [1970].
BAUMAN, Zigmunt. Vida para o consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Tradução: Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2008 [2007].
CETESB – COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO. Áreas contaminadas críticas. Disponível em . Acessado em 06 mai 2018.
CETESB – COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO. Relação de Áreas Contaminadas e Reabilitadas no Estado de São Paulo. Dezembro de 2017. Disponível em . Acessado em 06 mai 2018.
CHAPOLA, Ricardo. O que se sabe até agora sobre o desabamento do prédio em SP. Nexo. Publicado em 01 mai 2018, atualizado em 02 mai 2018. Disponível em . Acessado em 06 mai 2018.
DORTIER, Jean-François. Dicionário de ciências humanas. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010.
DUARTE, Alice. A antropologia e o estudo do consumo: revisão crítica das suas relações e possibilidades. Etnográfica, vol. 14 (2), p. 363-393, 2010.
ESPOSITO, Roberto. As pessoas e as coisas. São Paulo: Rafael Copetti Jr., 2016 [2014].
GIRARDI, Giovana. Brasil produz lixo como primeiro mundo, mas faz descarte como nações pobres. Publicado em 07 Ago 2016. O Estado de S. Paulo. Disponível em . Acessado em 06 mai 2018.
HARAWAY, Donna J. Manifesto ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX. In: TADEU, Tomaz (Org. e trad.). Antropologia do ciborgue: as vertigens do pós-humano. 2ª ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009 [1985].
MILLER, Daniel. Trecos, troços e coisas: estudos antropológicos sobre a cultura material. Tradução: Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Zahar, 2013 [2010].
MIZIARA, Rosana. Por uma história do lixo. InterfacEHS, v. 3, n. 1, Artigo 6, 2008.
NINNI, Karina. Cidades geram apenas 2,5% do lixo do planeta. Publicado em 28 Set 2011. O Estado de S. Paulo. Disponível em . Acessado em 17 mai 2018.
Prefeitura de São Paulo, Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL). População recenseada; Coleta de lixo segundo origem. Disponível em: . Acessado em 09 mai 2017.
Prefeitura de São Paulo. Aterros sanitários e transbordos. Disponível em . Acessado em 09 mai 2017.
SÃO PAULO (Estado). Decreto nº 59.263, de 5 de junho de 2013. Regulamenta a Lei nº 13.577, de 8 de julho de 2009, que dispõe sobre diretrizes e procedimentos para a proteção da qualidade do solo e gerenciamento de áreas contaminadas, e dá providências correlatas. Disponível em . Acessado em 06 mai 2018.
SHWARCZ, Lilia M. (Org) História do Brasil Nação: A abertura para o mundo (1889 - 1930). vol 03. São Paulo: Ed. Objetiva, 2012.
SHWARZ, Roberto. Ao vencedor as batatas. São Paulo: Ed. Duas CIdades, 1988.
SILVA, Isabela Oliveira Pereira da. A tragédia depois da tragédia do incêndio no Largo do Paissandu: uma ferida aberta na cidade. Blog da Boitempo. Publicado em 02 mai 2018. Disponível em . Acessado em 06 mai 2018.
STENGERS, Isabelle. No tempo das catástrofes: resistir à barbárie que se aproxima. Tradução de Eloisa A. Ribeiro. São Paulo: Cosac Naify, 2015 [2009].
Publicado
2018-12-20
Seção
IX Simpósio Nacional de Ciência e Meio Ambiente – SNCMA