LAGOCHILASCARÍASE: INFERÊNCIAS SOBRE A DOENÇA

  • Thayssa Faria Pinheiro Paixão
  • Dulcinea Maria Barbosa Campos
Palavras-chave: Puma concolor, Biodiversidade, Fauna

Resumo

A lagochilascaríase, infecção causada por Lagochilascaris minor, helminto da família ascarididae, é uma zoonose exclusivamente tropical e que adquiriu o status de zoonose emergente no país pelo aumento do número de casos6,30. A infecção humana está restrita à região neotropical e seu hospedeiro natural definitivo ainda permanece desconhecido. Sob esta ótica pretende-se realizar uma análise da situação sobre alguns aspectos que possam estar envolvidos na epidemiologia da doença. A doença foi descrita inicialmente em 1909, em lesões de pacientes do Serviço de Saúde de Trinidad19. A partir daí vários casos da doença foram descritos em países do continente americano. No Brasil, foram registrados 78,1% dos casos da doença do total de relatos nas Américas18. As lesões humanas são encontradas nos tecidos da região cervical, mastóide, ouvido médio, rino-orofaringe, seios nasais, globo ocular, pulmões, região sacra, sistema nervoso central4,11,18,20,34. A doença pode ter evolução crônica se arrastando por vários anos ou levar o paciente ao óbito, logo após o início dos sintomas. O fato de Lagochilascaris minor ter sido encontrado recentemente de forma natural em felídeo silvestre Puma concolorsuscitou maiores estudos acerca dos seus hábitos alimentares e a intersecção dos mesmos com os humanos nas áreas da doença25. Para tais estudos foram utilizados, dados de literatura especializada online, destacando-se o Portal de Periódicos/CAPES, e artigos publicados em revistas indexadas, tais como Latin American and Caribbean Health Sciences databases(LILACS), Scientific Eletronic Library Online (SciELO), e Index Medicus (MEDLINE).Durante a revisão identificou-se que a paca, a cotia e a capivara são roedores neotropicais utilizados na alimentação humana e que também podem fazer parte da dieta do Puma concolor, o que possivelmente os elenca como os principais hospedeiros intermediários naturais do ciclo1,2,11,20,21,31.

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Publicado
2018-12-20
Seção
IX Simpósio Nacional de Ciência e Meio Ambiente – SNCMA