MONONUCLEOSE INFECCIOSA E SUA VARIABILIDADE CLÍNICA: UM RELATO DE CASO

  • Amanda Gabrielly Magalhães
  • Bianca de Deus Verolla
  • Mateus Freitas Marinho
  • Nathália Vitória Ramos
  • Rafael Felipe Gregório Machado
  • Higor Chagas Cardoso
Palavras-chave: Mononucleose Infecciosa, Exantema, Amoxicilina, Infecções por Vírus Epstein-Barr.

Resumo

A mononucleose infecciosa (MI) é uma doença infectocontagiosa causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV) que pertence ao grupo herpes. O objetivo deste trabalho foi relatar um quadro clínico relacionado ao quadro de mononucleose infecciosa. Paciente do sexo feminino, 18 anos foi atendida por profissional médico com queixa de astenia, dispneia e odinofagia. Ao exame físico apresentava faringite com exsudato amigdaliano branco acinzentado. Feito o diagnóstico errôneo de amigdalite bacteriana, foi iniciada a antibioticoterapia via oral com amoxicilina. Doze horas após a introdução de amoxicilina, a paciente apresentou êmese e manchas eritematosas difusas na face e tórax. No dia seguinte após o início do uso do antibiótico, procurou o serviço de pronto socorro em hospital terciário e os exames laboratoriais não evidenciaram alterações, exceto elevação da Proteína C Reativa com concentração de 12,1 mg/L. Recebeu o diagnóstico de reação alérgica ao uso do antibiótico. Foi administrado dipirona via endovenosa, prometazina intramuscular e hidroxizina via oral de 8 em 8 horas e a amoxicilina foi substituída por levofloxacino via oral. No dia seguinte a paciente evoluiu com aumento do exantema no sentido craniocaudal, persistência da hipertrofia amigdaliana, odinofagia e disfagia a alimentos sólidos. Retornou ao serviço de pronto socorro do mesmo hospital no dia seguinte. Durante o atendimento manteve-se o diagnóstico de quadro compatível a reação adversa ao uso dos antibióticos prescritos. Iniciado tratamento com de hidrocortisona e ranitidina endovenosa. O levofloxacino foi substituído por sulfametoxazol/trimetropina, juntamente com a prescrição de prednisolona oral. Foi mantida a hidroxizina. Exames sorológicos demonstraram dosagens sorológicas de IgG e IgM reagentes para Epstein-Barr, com concentrações de 3,47 e 34 S/CO, respectivamente. Após conclusão do diagnóstico de MI, a conduta realizada foi a suspensão da antibioticoterapia da levocetirizina, além de manutenção de prednisolona a critério da paciente para aliviar o prurido. Após 3 semanas houve regressão total do exantema. Enquanto que o mal-estar, a dispneia e a hipertrofia amigdaliana se resolveram na primeira após o diagnóstico de MI. A MI possui um diagnóstico de média complexidade, tendo em vista que possui formas clínicas variáveis. Dessa forma, evidencia-se a importância uma história clínica e um exame físico detalhado, para evitar erros diagnósticos.

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Publicado
2018-12-27
Seção
XV Mostra de Saúde - 10 anos do Curso de Medicina