AVALIAÇÃO DE RESÍDUOS PRODUZIDOS EM FARMÁCIAS COM MANIPULAÇÃO, QUANTO A NATUREZA, QUANTIFICAÇÃO, RISCO E CUMPRIMENTO DO PLANO DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS

  • Luciano Ribeiro Silva
  • Dulcinea Maria Barbosa campos
Palavras-chave: legislação ambiental, resíduos sólidos, farmácia magistral, medicamentos

Resumo

Os resíduos (RD) fazem parte da natureza, mas com o avanço industrial e o aumento da demanda de medicamentos houve um crescente aumento de RD sólidos gerados pelos serviços de saúde. Nesse contexto encontram-se os medicamentos e matérias primas (MP) gerados em Farmácias com manipulação (FM). Através deste trabalho foram avaliadas a natureza dos insumos (IN) utilizados, a quantificação e classificação, quanto ao risco dos resíduos gerados (RDG) em quatro FM em uma cidade do Estado de Goiás, durante o período de maio a outubro de 2017. Quanto a natureza, verificou-se que todas as Farmácias (F1, F2, F3 e F4) trabalham com manipulação de medicamentos a partir de MP/IN, inclusive de origem vegetal (GRUPO I). Três Farmácias (F1, F3 e F4) trabalham com manipulação (M) de substâncias de baixo índice terapêutico (GRUPO II). Três Farmácias (F1, F3 e F4) trabalham com M de antibióticos, hormônios, citostáticos (GRUPO IIIa). Todas (F1, F2, F3 e F4) trabalham com M de substâncias sujeitas a controle especial (GRUPO IIIb). Apenas duas Farmácias (F1 e F3) trabalham com aplicação de injetáveis. No que diz respeito a quantificação dos IN gerados, dentro de um período de seis meses, os quatros estabelecimentos (ESTAB) (F1, F2, F3 e F4) produziram 73,34Kg (GRUPO I) do total de Resíduos (RD). Três ESTAB (F1, F3 e F4) produziram 1,40Kg (GRUPO IIIa) e quatro ESTAB (F1, F2, F3 e F4) produziram 0,92Kg (Grupo IIIb). Total de RD: 76,66Kg. Quanto ao risco, as quatro Farmácias produziram resíduos dos Grupos (RG) B, D e E. Para os RG B nenhum ESTAB empregava o símbolo “resíduos químicos” (RQ) e acondicionados em prateleiras do almoxarifado, não sendo armazenados em sacos plásticos, nem possuíam coletores com tampa fechada. Os RG D eram armazenados, transportados e tinham destinação final de forma adequada. Quanto ao armazenamento temporário, de RG E, as duas Farmácias os armazenavam no armário abaixo da pia na sala de injetáveis. Todos os estabelecimentos possuíam contratos com empresas que realizam serviços de incineração (INC) dos RG B e E, conforme preconizado pela legislação pertinente. No presente estudo, foram gerados RD do Grupo IIIa, faz parte dos RG B, apresenta considerável toxidade quando são descartados de forma inadequada no meio ambiente. Nessas circunstâncias, os hormônios presentes nos ambientes aquáticos podem desencadear a feminização dos peixes, e os antibióticos à resistência bacteriana. A INC dos RG B é um procedimento necessário e praticado pelas Farmácias estudadas. A quantidade de RD obtida e a INC desses produtos permitem concluir que: a prática de manipulação realizada pelas Farmácias estudadas pode trazer menores danos ao meio ambiente e à saúde humana; em relação o cumprimento do Plano de Gerenciamento de Resíduos (PGRSS) há deficiências e esses estabelecimentos devem atuar de forma correta em todo o fluxo, pelo manejo até a destinação final dos RDG.

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Publicado
2018-12-20
Seção
IX Simpósio Nacional de Ciência e Meio Ambiente – SNCMA