SOROPOSTIVIDADE AO PGL-I NO ANTIGO LEPROSARIO DO MUNICÍPIO DE ANÁPOLIS

  • Lídia Marques ROCHA
  • Rafaela Camargos SANTOS
  • Rodrigo Scaliante de MOURA
Palavras-chave: Hanseníase. Sorologia. Mycobacterium leprae.

Resumo

O presente trabalho visa analisar a taxa de soropositividade anti-PGL-I, antígeno específico do agente etiológico da hanseníase, entre moradores do antigo leprosário no município de Anápolis e voluntários da região próximos à instituição, inclusive funcionários da instituição, além de realizar um levantamento epidemiológico dos moradores destes antigos leprosários, elencando os motivos de internação e permanência no local. Trata-se de uma pesquisa com abordagem observacional, do tipo transversal, em forma de levantamento de prevalência não controlado e não randomizado. O antigo leprosário de Anápolis é mantido em funcionamento sob o nome da instituição que o administra desde 1981, Morhan (Movimento de Reintegração do Hanseniano). Embora realize o atendimento de diversos casos de abandono social, não só pacientes de hanseníase, ainda carrega o estigma da época das colônias em que pacientes hansenianos eram marginalizados, discriminados pela sociedade e pela própria família. Atualmente estão internados na instituição cerca de 30 pacientes com diversos males, dentre eles, sequelas de Hanseníase, Acidente Vascular Cerebral (AVC), indivíduos abandonados por familiares, entre outros. Foram incluídos na pesquisa todos os atuais moradores do antigo leprosário de Anápolis sendo maiores de 18 anos e que concordaram em participar do projeto. Foram excluídos da pesquisa todos aqueles indivíduos que se recusaram a participar da pesquisa e menores de 18 anos. Foi realizado o teste imunocromatográfico de fluxo lateral, ML Flow, para detecção de anticorpos da classe IgM contra o PGL-I, além de exame físico realizado por alunos de medicina treinados. Os resultados do teste ML Flow são obtidos entre 5 e 10 minutos, usando sangue total. Foram testados 19 indivíduos na instituição (Grupo 1) e 21 indivíduos moradores do bairro vizinho ao MorHan (Grupo 2). Os resultados obtidos apontam 3 indivíduos soropositivos no grupo 1, indicando uma soropositividade de 15,8% neste grupo. No grupo 2, obteve-se apenas 1 resultado soropositivo, indicando uma positividade de 4%. Interessante apontar que nenhum dos indivíduos que apresentaram resultados positivos no teste ML Flow possuía cicatriz vacinal BCG, e em apenas um paciente positivo não foi observado nenhum tipo de lesão ao exame físico. A presente pesquisa fornece uma oportunidade de auxiliar na elucidação de aspectos epidemiológicos, clínicos e principalmente sociais da doença, visando uma formação humanitária ampla do profissional de saúde. A positividade ao ML Flow dentre os internos do MorHan coincide com a prevalência de soropositividade entre pacientes e contactantes. Em etapas futuras do presente projeto, espera-se avaliar a soropositividade de um número maior de moradores da região vizinha ao morHan e moradores de regiões distantes à instituição. Esta comparação poderá fundamentar atividades de quebra do estigma e preconceito com a doença e seus acometidos.

 

Publicado
2019-01-02
Seção
XII Simpósio em Estudos Farmacêuticos