LAGOCHILASCARÍASE HUMANA E REGIÃO NEOTROPICAL

  • Fabrício de Oliveira SILVA
  • Izagmar de Oliveira Pio JÚNIOR
  • Dulcinea Maria Barbosa CAMPOS
Palavras-chave: Lagochilascaris minor . Região Neotropical. Puma concolor. Roedores

Resumo

A lagochilascaríase, infecção que tem como agente etiológico o helminto da familia ascarididae Lagochilascaris minor, é uma doença negligenciada, grave, restrita à região neotropical. Tem sido encontrada em Trinidad e Tobago, Suriname, México, Venezuela, Colômbia, Bolívia, Equador, Costa Rica, Paraguai e Brasil. Esse último país lidera a caustica com 100 de 168 casos descritos. L. minor tem sido encontrado em tecidos da região cervical, conduto auditivo, mastoide, rino-orofaringe, sistema nervoso central, tonsila, pulmões, globo ocular, alvéolo dentário, região sacra, seios nasais do homem.  Não há medicamentos que apresentem eficácia terapêutica e a doença pode levar pessoas ao óbito O fato da infecção humana ser restrita à região neotropical é relevante realizar investigações sobre alguns aspectos que possam estar envolvidos na epidemiologia da doença. Por esse motivo, o presente estudo teve como objetivo analisar  alguns  aspectos da biodiversidade da região neotropical incluindo fauna, vegetação, tipos de solo e clima. Para a realização deste estudo foram utilizados dados da literatura especializada online, destacando-se o Portal de Periódicos/CAPES e  periódicos inseridos no Scielo (Scientific Eletronic Library Online). A região neotropical se estende do México até o sul da América do Sul. Esta região possui vários biomas, e um deles é a floresta amazônica que representa 30% das florestas tropicais do mundo, o cerrado é o segundo maior bioma do Brasil e ocupa a porção central do país. Outro bioma que se destaca é a caatinga que equivale cerca de 10% do território nacional. A mata atlântica, que também faz parte desse conjunto de biomas da região neotropical, caracteriza-se por ser quente em menores latitudes, clima mais seco ao centro, e inverno rigorosos nos limites sul. O bioma pampa abrange o Uruguai, nordeste da Argentina, sul do Brasil e parte do Paraguai. Há evidências de que Puma concolor seja um hospedeiro definitivo do parasito. A fauna da região neotropical é composta por uma grande variedade de animais inclusive pelo Puma concolor segunda maior espécie de felino das Américas. Nesse sentido, esse estudo buscou dados na literatura que indiquem o tipo de alimentação utilizada por esse felídeo.  Verificou-se que o tatu de nove bandas é a principal presa do puma no Brasil assim como no México. A cutia um dos roedores neotropicais é encontrada desde as regiões tropicais da América do Sul até o sul do México. A paca pode ser observada em grande diversidade de habitat, mas tem preferência por vegetações formadas por florestas tropicais úmidas, procurando locais próximos dos cursos de água. As florestas semideciduais e as tropicais úmidas características da região neotropical constituem habitat e alimento dos roedores cutia, a paca. Há na literatura registros de roedeores serem utilizados como alimentos de felídeos domésticos, em infecções experimentais por L. minor. Considerando evidências da literatura consultada, esses roedores podem figurar como presas de felinos e hospedeiros intermediários de L. minor na natureza. O clima quente e úmido no verão, solo de textura argilosa são propícios ao desenvolvimento de ovos de ascarídeos. Finalmente, os animais, a vegetação, o clima e o solo constituem o elo essencial da cadeia epidemiológica de L. minor e justificam a ocorrência da doença nessa região.

Publicado
2019-01-02
Seção
XII Simpósio em Estudos Farmacêuticos