AVALIAÇÃO DE PARÂMETROS DE QUALIDADE DE BEBIDAS LÁCTEAS COMERCIALIZADAS NO MUNICÍPIO DE ANÁPOLIS – GO

  • Beatriz da Silva Beerbaum
  • Luana Isabella de Moura Camara
  • Janaína Andréa Moscatto
Palavras-chave: Produtos lácteos. Alimentos saudáveis. Bebidas fermentadas.

Resumo

A busca por produtos alimentícios saudáveis, nutritivos e baratos cresce mundialmente, com destaque no mercado brasileiro, elevando estudos e desenvolvimento de produtos como as bebidas lácteas. O Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), em sua Instrução Normativa nº16/2005, define bebida láctea como produto obtido a partir de leite ou leite reconstituído e/ou derivados do leite, fermentado ou não, com ou sem adição de outros ingredientes, onde a base láctea representa pelo menos 51% do total de ingredientes do produto. Neste cenário, este trabalho objetivou avaliar parâmetros de qualidade de seis marcas de bebidas lácteas comercializadas em Anápolis, quanto á rotulagem nutricional (RDC 360/2003 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA) e específica, características físico-químicas e microbiológicas. Os resultados demonstraram que quatro marcas (68%) descumpriram o item de informação nutricional (valores expressos incorretos), 1 (16%) não apresentou o lote do produto e 1 apenas (16%)  estava de acordo com todas as normas . As informações de rotulagem são de suma importância para o consumidor, pois além de identificarem o produto, auxiliam na escolha do mesmo no ato da obtenção. A falta do lote dificulta ou até impede a rastreabilidade do produto e a averiguação junto ao fabricante quanto a possíveis falhas. Quanto aos parâmetros físico-químicos analisados para as bebidas UHT os valores variaram: pH de 6,68  6,74; acidez em ácido láctico 0,17 a 0,23%; extrato seco 15,85 a 20,5%; umidade e voláteis 79,5% a 84,15%; cinzas 0,44 a 0,67%; glicídios redutores em lactose 2,47 a 2,83%; glicídios não redutores em sacarose 1,95 a 4,37%; amido 1,19 a 3,33% e corantes artificiais. Para as fermentadas os valores variaram: pH 3,72 a 4,27; acidez em ácido láctico 0,50 a 0,71%; extrato seco 15,5% a 34,82%; umidade e voláteis 65,18 à 84,5%; cinzas 0,40 a 0,61%; glicídios redutores em lactose 3,19 a 3,76%; glicídios não redutores em sacarose 1,05 a 1,95%; amido 1,09 a 4,3% e corantes artificiais. Quanto à pesquisa e quantificação de possíveis contaminantes microbiológicos (bactérias mesófilas totais, coliformes totais e termotolerantes e Estafilococos coagulase positiva), todas as amostras apresentaram-se de acordo com os limites estabelecidos em legislação. Para as bebidas lácteas fermentadas, a legislação ainda preconiza a contagem de bactérias láticas viáveis de, no mínimo, 106 UFC/mL. As três amostras analisadas (100%) apresentaram contagem abaixo (<10UFC/mL). A inviabilidade dessas bactérias pode ser fruto de condições inadequadas de armazenamento ou transporte, cepa inadequada para as características do produto, falhas no processo industrial. O estudo realizado demonstrou que existem no mercado bebidas lácteas que não cumprem as legislações que envolvem a garantia de qualidade e segurança destes alimentos, ferindo os direitos do consumidor no que tange às informações e expectativas incorretas sobre os produtos. Assim, torna-se necessário que medidas de correção destes problemas sejam tomadas: fiscalização mais rigorosa por órgãos competentes, aplicação de multas e retirada do mercado, orientação dos consumidores na avalição e escolha de seus produtos e treinamento dos fabricantes quanto às legislações e tecnologias que permitam produtos adequados.

Publicado
2019-01-02
Seção
XII Simpósio em Estudos Farmacêuticos