HORMÔNIOTERAPIA ADJUVANTE NO TRATAMENTO DO CÂNCER DE MAMA EM ESTÁDIOS INICIAIS

  • Ana Laura Carvalho Almeida
  • Guilherme Nassif Corrêa
  • Luiza Cividanes Homsi
  • Mariana Lima Silva
  • Mariana Silveira Abadia
  • Roberson Guimarães
Palavras-chave: Câncer de mama. Receptor de estrogênio positivo. Hormonioterapia adjuvante.

Resumo

O câncer de mama é o segundo mais prevalente entre as mulheres brasileiras. Sua fisiopatologia está relacionada com a arquitetura da célula tumoral, como por exemplo, o tipo de receptor hormonal expresso. Nesse contexto, a terapia hormonal adjuvante vem apresentando bons resultados no tratamento do câncer de mama estrogênio positivo. Comparar os diferentes tipos de hormonioterapia adjuvante no câncer de mama estrogênio positivo em estadios iniciais. Trata-se de uma revisão de integrativa de literatura com buscas nas bases de dados Pubmed e Lilacs, a partir dos descritores indexados no DECs: endocrine therapy; aromatase inhibitor; tamoxifen; adjuvant therapy; breast cancer. Foram incluídos trabalhos de 1989 a 2018 e artigos relevantes para essa revisão. Ao total, foram incluídos nesta revisão 23 artigos. Foram encontrados 3 grupos de hormonioterapia adjuvante: uso de moduladores do estrogênio, inibidores da aromatase (IA) e supressão da função ovariana. Os moduladores do estrogênio foram representados pelo tamoxifeno. Seu tratamento apresenta bons resultados para o paciente por diminuir a morbimortalidade, mas foram relatados efeitos adversos danosos ao paciente, como episódios tromboembólicos e íntima relação com o desenvolvimento de câncer de endométrio. Já os inibidores da aromatase foram relacionados a melhores taxas de sobrevida sem a doença, além de melhora na qualidade de vida por menores efeitos adversos. A supressão ovariana, por sua vez, foi uma intervenção associada aos outros 2 grupos, de maneira que a associação entre IA e supressão ovariana obtiveram os melhores resultados em relação ao placebo e tamoxifeno nos critérios de sobrevida sem a doença e qualidade de vida. A hormonioterapia sofreu mudanças com a melhora da qualidade dos medicamentos, resultando em melhor prognóstico, seja na vida do paciente, seja na evolução da patologia. Entretanto, o médico deve conhecer as singularidades de cada paciente e escolher a intervenção mais adequada para cada processo saúde-doença de cada paciente.

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Publicado
2018-12-28
Seção
XV Mostra de Saúde - 10 anos do Curso de Medicina