FILHOS DA DOR: UMA ABORDAGEM DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA

  • Artur Medeiros Godoy
  • Caio Alexandre Mendes Moreira
  • João Pedro Brandão Wantuil
  • João Victor Lopes Martins
  • Victoria Leal Steckelberg
  • Vinícius Vieira Reis
  • Danielle Brandão Nascimento
Palavras-chave: Violência Obstétrica. Dor. Parto.

Resumo

Violência obstétrica é um conglomerado de disputas, negociações, propostas de poder, simbólicas e reais, atravessadas por múltiplos fatores como classe, idade, gênero; e portas abertas para serem questionadas diferentes arestas, como tantos outros significantes sociais. (CASTRILLO, 2016). Abordar os fatores determinantes da violência obstétrica frente às inúmeras vulnerabilidades das mulheres, sendo estas inerentes à gestação ou anteriores a ela. Revisão de literatura de 20 artigos pesquisados nas plataformas LILACS, PubMed e SciElo, nos idiomas inglês, português e espanhol, excluindo dissertações, artigos acadêmicos e revisões sistemáticas e com o intuito de responder a questão norteadora “Quais são fatores determinantes do processo saúde-doença em relação à violência obstétrica?”. Discorreu-se sobre os fatores determinantes da violência obstétrica no Brasil, na Índia, nos Estados Unidos e na Argentina, na Venezuela e na Espanha, sendo o Brasil o país com maior ênfase. Os fatores estudados e discutidos foram faixa etária, etnia, condição socioeconômica das mulheres, e tipo de parto. A principal discussão é como essas variáveis interferem na ocorrência da violência obstétrica. A prevenção da violência obstétrica alcançará efetividade quando se conhecer os fatores que determinam esse tipo de discriminação e quando se combater as vulnerabilidades que alicerçam as violações às quais essas vítimas estão submetidas. Faz-se urgente desconstruir os fatores de vulnerabilidades das filhas da dor, a fim de que essas mulheres possam ser autônomas e livres nos diversos processos obstétricos que terão de passar.

Referências

AGUIAR, C., TANAKA, A. Memórias coletivas de mulheres que vivenciaram o near miss materno: necessidades de saúde e direitos humanos. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 32, p. 1-13, 2016.

ANDRADE, P. et al. Fatores associados à violência obstétrica na assistência ao parto vaginal em uma maternidade de alta complexidade em Recife, Pernambuco. Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., Recife, v. 16, p. 29-37, 2016.

BARROS, J. Determinação social do processo saúde doença: conceito para uma nova prática. Revista da Coordenação de Educação em Saúde – DENEM, n.1, p. 1-33, 2013.

BHATTACHARYA, S.; RAVINDRAN, T. K. S. Silent voices: institutional disrespect and abuse during delivery among women of Varanasi district, northern India. BMC Pregnancy and Childbirth. India, 2018.

BISCEGLI, T. et al. Violência obstétrica: perfil assistencial de uma maternidade escola do interior do estado de São Paulo. Revista cuidarte enfermagem, v. 9, n. 1, p. 18-25, 2015.

BORGES, Maria T.R. A violent birth: reframing coerced procedures during childbirth as obstetric violence. Journal of integrated studies. Minas Gerais, V. 8, n. 1, 2015.

CARVALHO, I.; BRITO, R. Formas de violência obstétrica vivenciadas por puérperas que tiveram parto normal. Revista electrónica trimestral de Enfermaria, Múrcia, n. 47, p. 80-88, 2017.

CASTRILLO, B. Dime quién lo define y te diré si es violento: Reflexiones sobre la violencia obstétrica. Revista Latinoamericana. La Plata, Argentina, n. 24, p. 43-68, dezembro, 2016.

DE SOUZA, K. J. et al. Institutional violence and quality of service in obstetrics are associated with postpartum depression. Revista de Saúde Pública. Brasília, p. 51-69, 2017.

DINIZ, C. et al. Desigualdades sociodemográficas e na assistência à maternidade entre puérperas no Sudeste do Brasil segundo cor da pele: dados do inquérito nacional Nascer no Brasil (2011-2012). Saúde Soc., São Paulo, v. 25, p. 561-572, 2016.

DINIZ, S., et al. Abuse and disrespect in childbirth care as a public heaht issue in Brazil: origins, definitions, impacts on maternal health, and proposals for its prevention. Original research. São Paulo, 2014.
DOMINGUES, R. et al. Processo de decisão pelo tipo de parto no Brasil: da preferência inicial das mulheres à via de parto final. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.30, p. 101-116, 2014.

LEAL, M. et al. Intervenções obstétricas durante o trabalho de parto e parto em mulheres brasileiras de risco habitual. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.30, p. 1 -31, 2014.

LEAL, S. Y. P. et al. Percepção das enfermeiras obstétricas acerca da violência obstétrica. Cogitare enfermagem. Salvador, Bahia, 2017.

LUZ, N. et al. Puérperas adolescentes: percepções relacionadas ao pré-natal e ao parto. ABCS Health Sci., v.40, n. 2, p. 80-84, 2015.

MENDIRI, M. A. A. et al. La violencia obstétrica: um fenómeno vinculado a la violación de los derechos elementares de la mujer. Medicina Legal de Costa Rica. v. 34, n.1 p.1409, 2017
.
OLIVEIRA, V. J.; PENNA, C. M. M. O discurso da violência obstétrica na voz das mulheres e dos profissionais de saúde. Textos e contextos-enfermagem. Minas Gerais, 2017.

PEREIRA, C. J.; DOMÍNGUEZ, A. L.; MERLO, J. T. Violencia obstétrica desde la perspectiva de la paciente. Rev. Obstet Ginecol Venez., Caracas, v. 75, n. 2, p 81-90, 2015.

RAMOS, P. A. R. La violência obstétrica, outra forma de violência contra la mujer. El caso de Tenerife. MUSAS: revista de investigación en mujer, salud y sociedad. Espanha, vol. 2, n. 2, p. 56-74, 2017.

RODRIGUES, D. et al. A peregrinação no período reprodutivo: uma violência no campo obstétrico. Escola Anna Nery, v.19, p. 614-620, 2015.

SOARES, C. B. et al. Revisão integrativa: conceitos e métodos utilizados na enfermagem. Rev Esc Enferm USP, São Paulo, v. 48, n.2, p.335-45, 2014.

TESSER, C. et al. Violência obstétrica e prevenção quaternária: o que é e o que fazer. Revista brasileira de medicina de família e comunidade, Rio de Janeiro, v. 10, n. 35, p. 1-12, 2015.

VACAFLOR, C. H. Violência obstétrica: um novo marco para identificar os desafios da atenção à saúde materna na Argentina. Reproductive Health Matters. Buenos Aires, p. 65-73, 2016.
Publicado
2019-01-11
Seção
XV Mostra de Saúde - 10 anos do Curso de Medicina