CARACTERIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA CRIANÇA NO ÂMBITO DAS RELAÇÕES DOMÉSTICA, FAMILIARES E SOCIAIS

  • Rosana Mendes Bezerra
  • Lucimeire CÂNDIDA
Palavras-chave: Violência infantil. Abuso sexual. Violência intrafamiliar

Resumo

INTRODUÇÃO: Cotidianamente crianças são vítimas de violência sexual, onde não raro os episódios de abuso são praticados no ambiente intradomiciliar, sendo protagonizados por pessoas que tem o dever de assegurar-lhes sua proteção. A violência sexual infantil constitui-se um problema relevante de saúde pública que atinge todos os estratos da sociedade e sua alta incidência acarretam prejuízos físicos, sociais e cognitivos para as crianças vitimadas e tal prática está relacionada a questões complexas e multifatoriais, entre eles, fatores parentais, sociais e estruturais, constituindo-se, portanto, fatores predisponentes, porém, não determinantes para a prática da violência (MINAYO, 2017). OBJETIVOS: Geral: Identificar características dos casos suspeitos e/ou confirmados de abuso sexual contra a criança, como o perfil do possível autor da agressão e variáveis associadas, através dos casos de notificação compulsória de violência, inseridos na base de dados do Sistema de Informações e Agravos de Notificação (SINAN), no período de 2010 a 2016, em um município do interior no estado de Goiás. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo transversal, prospectivo, descritivo, com abordagem quantitativa, sendo a amostra por conveniência. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Houve 185 casos de notificação de violência sexual contra a criança. A violência sexual foi prevalente no sexo feminino (69,72%), tendo sido o ambiente domiciliar o local predominante para a prática do abuso sexual (88,5%). Os pais, responsáveis, cuidadores e conhecidos, constituíram-se os principais autores do abuso sexual (80,54%). Em 46,6% dos casos notificados, a criança foi vítima de mais de um tipo de abuso. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Face a expressiva frequência de violência sexual praticada contra a criança por pessoas do seu núcleo afetivo e social e frente a desproteção em que a criança vítima de abuso sexual se encontra, verifica-se que, quanto mais vulnerável a criança se encontra, esta poderá ser submetida a duplas formas de violência. No contexto doméstico, a violência sexual infantil está vinculada não somente aos fatores socioestruturais, senão às relações parentais assimétricas relacionadas à subordinação daquele que detém a dominação e força sobre o mais frágil, onde se este ciclo não for interrompido, esta prática poderá se reproduzir num processo cíclico multigeracional. Embora há legislações que assegurem a proteção às crianças, torna-se imperativo pensar em formas diferentes que fomentem ações e estratégias efetivas para a prevenção e o enfrentamento deste fenômeno.

Publicado
2019-01-07
Seção
II Simpósio de Produção Científica do Curso de Enfermagem da UniEVANGÉLICA