EXPERIÊNCIAS NA PROCURA DO SERVIÇO DE SAÚDE

PERCEPÇÃO DE HOMENS HOMOSSEXUAIS

  • Renato de Oliveira SANTOS
  • Wendel Batista dos SANTOS
  • Najla Maria Carvalho de SOUZA
  • Sheila Mara PEDROSA
Palavras-chave: Assistência à saúde. Homossexualidade. Política pública. Saúde do homem.

Resumo

INTRODUÇÃO: A homossexualidade vem sendo debatida em diversos aspectos, é vista como a atração física pela pessoa do mesmo sexo. A procura a assistência de saúde  dos homens que fazem sexo com outros homens é precária nas unidades, pois a grande maioria não se adaptam ou sentem medo de sofrer discriminação social.  OBJETIVO: Descrever a experiência dos homens homossexuais masculinos de uma cidade do interior de Goiás no que tange à assistência em serviços de saúde. MÉTODO: Estudo de abordagem qualitativa. Participaram do estudo 15 homens homossexuais. A amostra foi recrutada de forma aleatória e por conveniência, através da técnica bola de neve. Foi utilizado a entrevista semiestruturada para coleta dos dados. Para análise de dados foi adotada a técnica de análise de conteúdos (BARDIN, 2011). RESULTADOS: A média de idade dos participantes foi de 19 e 27 anos. A última vez que procuraram o serviço de saúde foi menos de seis meses ou um ano. Os tipos de serviços procurados foram o serviço público, privado ou ambos. Quanto a realização dos exames periódicos, os incentivadores foram o pai, a mãe, a empresa que trabalham ou os amigos. Foram identificadas duas categorias, a “Assistência dos serviços de saúde” dividida em duas subcategorias: “Dificuldades no acesso”, “Equipe multidisciplinar e ações em saúde”. As dificuldades no acesso foram a ineficiência do serviço pela burocracia, demora no atendimento, falta de atendimento integral, medo de descobrir doenças e o preconceito praticados por profissionais de saúde. Quanto a “equipe multiprofissional e ações em saúde’ referem que utilizaram a Estratégia de Saúde da Família (ESF) às vezes ou só quando criança, quando acometidos de trauma no nariz, dengue e suspeita de IST’s. Foram atendidos por enfermeiros, médicos, dentistas, psicólogos e farmacêuticos, sendo o enfermeiro o mais efetivo no atendimento. Referem não ter participado de ações de saúde voltadas para população masculina homossexual na ESF. A segunda categoria “Resistência masculina” foi dividida em três subcategorias: “Adoecimento e procura”, “Resistências individuais” e “Conhecimento da Política Nacional Atenção Integral a Saúde do Homem (PNAISH)”. As resistências individuais foram a falta de tempo, preguiça, fatores econômicos, medo dos procedimentos hospitalares, exposição do corpo e preconceito no atendimento. Quanto ao “Adoecimento e procura”, os motivos que os levaram a urgência e emergência foram: infarto agudo do miocárdio, infecções, doença na próstata, dispneia, apendicite, conjuntivite e amigdalite. Em relação ao “Conhecimento da PNAISH”, a maioria conhecem superficialmente a PNAISH, sendo associada ao novembro azul com ações voltadas ao câncer de próstata. CONCLUSÃO: Percebe-se a necessidade de se refletir ainda mais sobre a saúde do homem, independentemente de sua orientação sexual. É imprescindível a atuação do enfermeiro no âmbito da atenção primária e até mesmo nos serviços de urgências e emergências com o desenvolvimento de ações para a adesão desses homens ao serviço de saúde na visão preventiva e não curativa. Ressalta-se a importância de mais estudos sobre o tema, pois é amplo e complexo e pouco explorado quando comparados a saúde da mulher.

Publicado
2019-01-07
Seção
II Simpósio de Produção Científica do Curso de Enfermagem da UniEVANGÉLICA